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06/06/2021

Voluntários ajudam em nascimento de 150 tartarugas-de- Pente em Aquiraz

 

Um ninho de tartarugas-de-pente eclodiu no último dia 24 de maio, na praia de Aquiraz. Voluntários acompanharam o nascimento de 150 tartarugas e as ajudaram a chegar ao mar (Foto: Fabio Nunes/Divulgação)
Um ninho de tartarugas-de-pente eclodiu no último dia 24 de maio, na praia de Aquiraz. Voluntários acompanharam o nascimento de 150 tartarugas e as ajudaram a chegar ao mar (Foto: Fabio Nunes/Divulgação)

Quase dois meses após desova, 150 tartarugas-de-pente nasceram na praia de Aquiraz, a 29,9 km de Fortaleza, no dia 24 de maio. O ninho foi identificado em 27 de março. Desde então, ele passou a ser monitorado pelo Instituto Verdeluz, e o local permaneceu isolado com cordas e placa. A espécie está criticamente em perigo, o que significa que ela "está enfrentando um risco extremamente alto de extinção na natureza", segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Morador do Porto das Dunas, o biólogo Fábio Nunes foi informado sobre o ninho por um segurança do Oceani Beach Park Hotel que testemunhou a desova. Posteriormente, o Instituto Verdeluz orientou uma equipe do Beach Park sobre como proceder para proteger o ninho.

As recomendações foram: demarcar o local com raio de pelo menos um metro; se possível,  sinalizar com placa e, principalmente, não mexer. "(Deve-se) esperar, no tempo certo, o ninho eclodir ou não", explica a bióloga Alice Frota Feitosa, coordenadora voluntária do Projeto GTAR do Instituto Verdeluz.

O nascimento foi acompanhado por voluntários, moradores do Porto das Dunas, funcionários da empresa e integrantes da Associação Pordunas, fundada pelo Beach Park. A Associação Avança PDD convocou os moradores para colaborarem com as tartarugas.

Biólogo da Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis), Fábio Nunes trabalha com aves na serra de Baturité e presenciou pela primeira vez a eclosão de um ninho de tartarugas. "Mas sempre quis testemunhar esse fenômeno da natureza", conta.

Ele explica que está ajudando o Instituto Verdeluz no monitoramento de desovas para que seja identificada a situação dessa espécie no Porto das Dunas. "Essa espécie está tendo seu direto de existir negado pela nossa sociedade, precisamos reunir esforços para evitar sua extinção. A eclosão foi um momento de grande aprendizado, fizemos o que se chama de cesária de ninho."

A "cesariana de ninho" consiste pegar os filhotes após a eclosão do ninho para ajudá-los a ir para o mar, ao invés de deixá-los fazer isso naturalmente. "Essa ajuda é necessária, principalmente em ambientes urbanos, pois esses animais estão sendo ofuscados pelas luzes artificiais e perdendo o rumo do mar. Normalmente (eles são) guiados pela luz da lua", explica o biólogo.

Segundo informações do Beach Park, que se encontra em área de desova, todos os hotéis da empresa têm equipe treinada para o manejo da fauna marinha, incluindo tartarugas e mamíferos. "Após a eclosão, a equipe ajuda também a direcionar as tartaruguinhas que, por ventura, possam ir para a direção contrária ao mar", explica Raissa Bisol, gerente de Meio Ambiente do Beach Park.

Outros nascimentos de tartarugas marinhas

O Instituto Verdeluz monitora ninhos de tartarugas em Fortaleza. Neste ano, desde janeiro, a ONG já registrou cinco ninhos na Sabiaguaba e 34 na Praia do Futuro. Segundo a bióloga Alice Frota Feitosa, coordenadora voluntária do Projeto GTAR, foram de 87 a 223 filhotes por ninho. Ela explica que, no atual período da pandemia, a falta de recurso e de transporte dificultou o monitoramento da região da Sabiaguaba.

                   o Povo 

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