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20/05/2021

Castanhão apresenta aspectos negativos na qualidade da água desde 2015

 

Pescador lança a sua rede no açude Castanhão (Foto: Aurelio Alves)
Pescador lança a sua rede no açude Castanhão (Foto: Aurelio Alves)

O maior reservatório de água do Ceará segue com os níveis de armazenamento muito abaixo do que já pôde ser visto em anos como 2004 e 2009, períodos em que o açude Castanhão chegou a sangrar. Atualmente, com pouco mais de 13% de sua capacidade, o reservatório ainda está muito distante dos tempos áureos, mas apresenta uma evolução se comparado ao cenário apresentado em 2017, quando o açude atingiu o volume morto.

Desde o último 10 de março, o reservatório passou a receber suporte de águas vindas da transposição do Rio São Francisco. O fluxo recebido não é suficiente para devolver os tempos de cheias ao reservatório, mas deve ser fundamental para garantir o abastecimento de água de Fortaleza e sua Região Metropolitana (RMF) durante os anos de 2021 e 2022.


Se o abastecimento de água em boa parte do Estado não deve ser problema, os relatórios apresentados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), que medem o nível de qualidade da água, mostram que, desde de 2015, o açude está classificado com águas eutróficas, tendo chegado ao nível hipereutrófico durante o primeiro semestre de 2019.

Segundo a Cogerh, a classificação por meio do estado trófico está associada às águas brutas, que encontram-se na natureza e ainda não foram tratadas para o consumo humano. Dentro da classificação, águas tidas como eutróficas ou hipereutróficas, cenário que o Castanhão se enquadra desde 2015, possuem coloração esverdeada, originada da presença de algas, podem também ter forte presença de plantas aquáticas e exigem muitos recursos para torná-las potáveis.

Os níveis eutróficos e hipereutróficos ainda podem acarretar outro problema: a queda na concentração de oxigênio dissolvido. Em situações críticas, a falta de oxigênio pode levar à morte dos peixes que vivem nessas águas.

A análise ainda conta com outros dois níveis de avaliações: oligotrófica e mesotrófica. Águas classificadas como oligotróficas tendem a ser mais transparentes e exigem menos recursos para torná-las potáveis, além de possuírem um elevado teor de oxigênio dissolvido. Entre os anos de 2007 e 2013, as águas do Castanhão apresentavam classificação oligotrófica.

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Entre os anos de 2013 e 2015, a classificação que mais se repetiu no reservatório foi a mesotrófica, ou seja, o açude apresentava água costumeiramente clara e com níveis intermediários de nutrientes vegetais, apresentando assim um moderado crescimento de matéria orgânica.

De acordo com o último relatório divulgado pela Cogerh, realizado no dia 17 de março, a redução da quantidade de água no açude a partir de 2012 tem forte influência nos aspectos negativos da qualidade da água.

Classificação do estado trófico das águas do Castanhão
Classificação do estado trófico das águas do Castanhão (Foto: Divulgação Cogerh)

Segundo a análise, as estações chuvosas que ajudam a socorrer o volume de água do reservatório podem interferir na qualidade das águas, principalmente na intensificação da diminuição de oxigênio dissolvido. Esse parâmetro está relacionado direta ou indiretamente aos casos de mortandades ocorridos nos últimos dois anos no açude.

"Cerca de 70% a 80% das mortandades reportadas à Cogerh ocorrem durante o período chuvoso. Principalmente durante a quadra chuvosa, nós percebemos também uma diminuição da qualidade da água, principalmente, nos níveis de oxigênio. Isso acontece porque, devido às chuvas, há o aumento no aporte dos rios; no caso do Açude Castanhão, principalmente no Rio Jaguaribe. Com isso, há o arraste de uma elevada carga poluidora através dos rios, que consequentemente atinge o açude e ocasiona uma diminuição da qualidade de água e, principalmente, dos níveis de oxigênio", explica Mário Barros, analista de recursos hídricos da Cogerh.

Segundo o analista, a variação de temperatura também afeta a qualidade da água do açude, o problema é outro que se agrava durante a quadra chuvosa.

"Outro fenômeno relacionado à diminuição da qualidade da água está ligado ao aumento da temperatura, característico do período chuvoso. As águas mais quentes têm a capacidade de transferência do oxigênio para as camadas mais profundas do reservatório diminuída, com isso ocasiona a formação de gases tóxicos no açude. Isso costuma ser uma bomba-relógio, que pode explodir a qualquer momento. Esse momento, geralmente, é durante noite", relata Barros.

Ainda segundo o relatório da Cogerh, "fatores antrópicos, como erosões, lançamentos de efluentes domésticos, industriais ou agrícolas, aquicultura intensiva e acidentes com substâncias químicas podem acentuar esse problema, quando não são os reais responsáveis pelas mortandades".

O cenário preocupante deve perdurar nos próximos meses, pois uma avaliação da Cogerh apontou uma tendência de queda dos níveis de oxigênio da água do reservatório para o trimestre entre os meses de abril a junho de 2021.

O levantamento já havia apontado, em 2018, a relação direta entre a queda do volume do açude com o fenômeno da eutrofização. Amostras analisadas entre janeiro e março de 2021 apontam uma queda na concentração de oxigênio dissolvido nas camadas mais profundas do reservatório.

                             O povo 

Desde o último dia 19 abril, a Cogerh alertou os produtores de peixes de Alto Santo e Jaguaribara sobre a falta de oxigênio na água, que pode trazer impactos para a atividade pesqueira da região. O alerta sobre a situação também foi repassado para membros dos Comitês de Bacias do Baixo e Médio Jaguaribe.

Sobre a qualidade da água para consumo próprio, a Cogerh explica que "toda e qualquer água bruta não é apropriada para o consumo sem antes haver o tratamento. O estado trófico serve como indicador do estado de equilíbrio ecológico de todo e qualquer reservatório e, por si só, não fornece informações suficientes para contraindicar o seu uso, além de que irá também depender da frequência de consumo", pontua.

Ainda segundo a Companhia, a possibilidade de reversão desse cenário só se tornará possível quando houver uma forte recarga de água no reservatório, mas tal fato não possui nenhuma previsão de acontecer.

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