Juazeiro do Norte é destaque em reportagem sobre efeitos da pandemia no turismo religioso

 





                                                 Foto  Elizangela Santos 


Juazeiro do Norte sempre é referência em se tratando de turismo religioso, principalmente se comparado a outras cidades de interior do Nordeste. O fluxo, que tende a mover anualmente cerca de 2 milhões de pessoas para a terra do “padim”, já está pela segunda vez consecutiva sem ver “um pé gente”. É o que diz a reportagem divulgada pelo Jornal Folha de São Paulo na última sexta-feira (2), maior veículo impresso do Brasil, que deu destaque aos efeitos da pandemia no turismo religioso.

Com destaque a municípios que sobrevivem e movimentam pelo turismo religioso, a matéria fez alusão a Juazeiro do Norte e o constante declínio vivido por este e outros tantos centros que recebem romeiros a cada ciclo de romaria no país. De queda na arrecadação ao completo fechamento de pousadas, hotéis e comércios locais, a economia vê-se assolada por uma “seca” de gente, que não mais frequenta as ruas nas datas festivas do calendário religioso.

Juazeiro na Semana Santa

Em Juazeiro do Norte, durante a Semana Santa, mais de 200 mil romeiros visitam o município para render homenagens ao padre Cícero e pagar promessas.


Só na colina do Horto, maior ponto turístico da cidade, onde está a estátua do religioso, há circulação de aproximadamente 2 milhões de pessoas por ano. Sem a entrada dos romeiros, o município cearense, que vive essencialmente do comércio, sente os efeitos em diversos setores.

No entorno da área do Horto, mais de 700 famílias que dependem do comércio para sobreviver estão paradas. As lojas de artigos religiosos estão fechadas. No centro da cidade, não há ninguém nas várias pousadas que normalmente ficam lotadas.

O comerciante José Ronivon dos Santos, dono de um restaurante que costumava vender 120 refeições por dia em época de romaria, teve que fechar as portas.

“Não conseguimos manter funcionando para delivery. Ficamos um pouco distantes do centro e o custo é muito alto. Não temos assistência do poder público e não sabemos como vai ser daqui para frente”, afirma.

Nas contas do prefeito Glêidson Bezerra (Podemos), a cidade deixou de arrecadar aproximadamente R$ 40 milhões. Com o cancelamento das romarias, R$ 580 milhões deixaram de circular no município durante o ano.

“Ainda estamos vivendo a ressaca do desemprego do ano passado. Sem vendas, o mercado informal também para e a cidade fica à míngua”, declara Bezerra.

Ele diz que só restam medidas paliativas, a exemplo de distribuição de cestas básicas e reforço nas cozinhas comunitárias, para tentar amenizar a situação. “Aumentou o número de moradores de rua. O pessoal está passando fome”, alerta.

Desde o início da pandemia, Juazeiro do Norte registrou a morte de 411 pessoas em decorrência do novo coronavírus. No Ceará, a taxa de ocupação de leitos de UTI para pacientes com síndrome respiratória aguda grave é de 93%.

Fonte: Folhapress

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