Especialistas preveem pelo menos mais 15 dias de caos na saúde

 


Paciente é levado para UTI em Araraquara, interior de São Paulo

Paciente é levado para UTI em Araraquara, interior de São Paulo

RUBENS CAVALLARI/FOLHAPRESS - 12.3.2021


O Brasil atingiu a maior taxa de crescimento de casos da covid-19 desde o começo da pandemia, com mais de 90 mil novos infectados por dia. Especialistas ouvidos pelo R7 acreditam que a falta de vacinação em massa e de planejamento do Ministério da Saúde contribuem para a situação do país. De acordo com os médicos, os próximos 15 dias ainda serão bem complicados. 

O presidente da Associação Médica Brasileira, César Eduardo Fernandes, compara a situação da saúde a um filme de terror. "Parece que estamos vivendo um filme de terror. Sempre imaginamos que não vai acontecer nada pior, mas acontece. O alto número de novos casos, como vem acontecendo na última semana, se pressupõe muitos óbitos nas próximas duas semanas", prevê Fernandes, já que a covid-19 demora uma semana para agravar. 

O infectologista Adauto Castelo Filho, do Hospital Albert Einstein, acredita que podemos chegar a 4 mil mortes por dia. "Não é improvável que nos próximos 15 dias chegaremos às 4 mil mortes ao dia. Tivemos uma coordenação central completamente desarticulada e um negacionismo complicado e com consequências terríveis para a população. Um número grotesco de pessoas vai morrer", lamenta o especialista.

A falta de medicamentos para a intubação de pacientes mais graves é apontada como consequência de um planejamento mal feito. "Seria inimaginável em tempos atrás pensar que viveríamos uma situação igual a essa, de faltar fármacos nas UTIs", diz o presidente da AMB. 

O infectologista fala em crueldade com a população. "É uma crueldade enorme não ter medicamento. Como o especialista de logística deixa faltar insumos básicos para atendimento da população? A cadeia de insumos colapsou completamente", exalta Castelo Filho. 

Falta de vacinas

Quase 12 milhões de brasileiros receberam imunizantes contra o novo coronavírus, número considerado baixo para conter a transmissão do SARS-CoV-2 e variantes. "A imagem que melhor descreve a situação que vivemos é aquela que você precisa chegar a algum lugar e passa o cavalo selado na sua frente e você despreza. Foi o que aconteceu julho, agosto do ano passado, quando tínhamos oportunidade de com um mínimo de coordenação e competência, de adquirir uma quantidade de vacinas, que fariam diferença no contágio que estamos hoje", explica o infectologista.

César Fernandes lembra que o ritmo da vacinação pode facilitar o surgimento de variantes, mas diz que é necessário agir para encontrar soluções. "A vacinação está muito lenta, o que pode facilitar o surgimento de novas variantes do SARS-CoV-2 e precisamos pensar em soluções. É isso que a população quer. Temos de deixar as questões políticas de lado e fazer, agir. Mesmo que deveria ter sido feito antes, faz agora que será melhor de que lamentar o passado", afirma. 

Como a vacinação ainda não atinge muitos brasileiros, o especialista lembra que só tem um jeito da situação melhorar: o respeito à prevenção. "A palavra de ordem para o Brasil é diminuir a transmissão. Só existem duas formas para isso, com vacinação em massa e as retrições sociais. Ninguém está satisfeito com o fechamento das cidades. Mas, sabe a recomendação de nossas avós, dos males o menor? Se não fizermos isso, as mortes continuarão a acontecer. " 

                            R7 

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