A vacina virou pauta da eleição no Congresso Nacional

 





A esquizofrenia chegou ao limite no debate sobre a vacina no Brasil. O governo Bolsonaro alimenta o processo, ao negar a vacina e o Covid 19, comportamento estranho para um cenário de quase 200 mil mortos. 

A tese do governo federal é liberar a sociedade para a rotina de vida normal, mantendo o isolamento social de pessoas idosas e daqueles que sofrem com comorbidades, como diabetes e hipertensão, ou seja, doenças conjuntas. 

Governadores e prefeitos, em linha contrária, seguram segmentos da sociedade, para impedir a disseminação do vírus em efeito manada. O objetivo é garantir atendimento aos doentes nas enfermarias e UTIs. Os dois segmentos querem o bem estar da população, mas não se acertam porque não sentam para buscar um acordo. O bate-boca tem sido a marca nesses tempos de pandemia. É preciso juízo. 

O resultado da briga política entre Bolsonaro, governadores e prefeitos tem seus efeitos negativos. O Brasil, até agora, não foi procurado pelos laboratórios que desenvolveram vacinas, para registrar imunizantes. Cerca de 50 países estão vacinando suas populações. O Brasil, na contramão, não busca acordo comercial para adquirir a vacina. 

Na reunião do PT, que definiu o apoio da bancada federal do partido ao candidato Baleia Rossi, para presidir a Câmara Federal, na disputa contra Artur Lira, ficou claro que o apoio se fazia por dois motivos: 1 - lutar pela vacina e 2 - combater o candidato do presidente Bolsonaro. 

A sinalização clara de dois deputados federais do PT sobre a vacina contaminou os demais partidos e se tornou pauta, a partir da exigência da sociedade. Os parlamentares não querem esse desgaste, a pressão social está sendo grande e o carimbo de não defender a vacina é evitado pelas lideranças do Congresso Nacional.

Ao pontuar que o debate se tornou esquizofrênico, enfatizo o radicalismo. A política vem sendo a gasolina para alimentar a discussão inócua sobre a forma do combate a Covid 19 além ciência. As constantes discussões emocionais sobre eficácia, compra ou não e isolamento social tornaram o Brasil um país esquizofrênico, com mentiras e verdades entrando no cotidiano, confundindo o cidadão. 

O afunilamento do debate radical será a conquista da vacina. O leitor vai perguntar: porque tanta briga se a vacina chegou? Responderemos, foi suado, mas conseguimos. Foi difícil, mas estamos imunizados. As urnas de 2022 vão estabelecer o que o brasileiro decidiu, após o frenético debate sobre o monstro do coronavírus. 


Roberto Moreira 

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