Cantora e compositora, Vanusa fez sucesso na década de 1970 com canções como "Manhãs de setembro".

RIO — A cantora Vanusa morreu na madrugada deste domingo, aos 73 anos. Ela estava internada desde o dia 7 de setembro no Complexo Hospitalar dos Estivadores, em Santos, no litoral de São Paulo, com um quadro de pneumonia e anemia. A morte foi anunciada pela família, através de um comunicado.

Segundo a nota, “o enfermeiro percebeu por volta das 5h30 da manhã que ela estava sem batimentos cardíacos. Imediatamente chamaram a UPA que constatou insuficiência respiratória como a causa mortis”. Detalhes sobre velório e enterro devem ser divulgados ao longo do dia.

Vanusa não aparecia em público desde 2017, quando foi internada em uma clínica psiquiátrica para tratar uma depressão que a levou ao vício em calmantes. Há cerca de um ano, a cantora foi diagnosticada com Alzheimer. Em entrevista ao EXTRA em agosto de 2020, sua filha, a ex-apresentadora infantil Aretha Marcos, contou que a mãe havia perdido a capacidade de raciocínio e não a reconhecia mais.

— Minha mãe não tem mais cognitivo (que significa a perda da memória e dificuldade de raciocinar). Ela assistiu à minha reportagem na TV e não entendeu nada. Não tem mais como conversar com ela — disse Aretha, à época.

Mais de 50 anos de carreira

Vanusa nasceu em Cruzeiro, no interior de São Paulo, em 1947, mas foi criada em Minas, onde começou a carreira aos 16 anos, como crooner do conjunto Golden Lions. Sua estreia no programa de Eduardo Araújo, na extinta TV Excelsior, em 1966, chamou a atenção da gravadora RCA Victor, que lançaria seu primeiro LP dois anos depois. O disco incluía composições da própria cantora.

Vanusa também passou pela TV Record, onde participou das duas últimas edições do programa Jovem Guarda e atuou em “Adoráveis Trapalhões”, ao lado de Renato Aragão e Wanderley Cardoso, com quem teve um relacionamento. Em 1971, a artista participou da sexta edição do Festival Internacional da Canção, onde apresentou “Namorada”, música feita em parceria com seu primeiro marido, Antônio Marcos. Com ele, Vanusa teve duas filhas, Amanda e Aretha. Ela também é mãe do ator Rafael Vanucci, fruto de seu casamento com o diretor de TV Augusto César Vanucci.

Ao longo da carreira, a cantora passou por diversos estilos musicais, desde a jovem guarda de suas primeiras apresentações até o rock em “What to do”, faixa de seu álbum de 1973 que lhe rendeu comparações com a banda Black Sabbath. O mesmo álbum lhe traria seu maior sucesso: a canção “Manhãs de setembro”, feita em parceria com Mário Campanha. O estilo romântico da faixa acabaria por marcar a trajetória de Vanusa, que também cantou compositores como Belchior (“Paralelas”, em 1974) e Chico Buarque (“Basta um dia”, em 1982).

A artista também fez aparições no cinema, nos filmes “Pobre príncipe encantado”, de Daniel Filho (1969), e “Com a cama na cabeça”, de Mozael Silveira (1972). Em 1998, publicou sua autobiografia, intitulada “Vanusa – Ninguém é mulher impunemente”, mas o livro foi apreendido no dia de seu lançamento devido a um impasse judicial com o cantor Wanderley Cardoso. A obra só voltaria às prateleiras um ano depois.

Lançado em 2015, seu último trabalho, “Vanusa Santos Flores”, foi o primeiro álbum de inéditas da cantora depois de 20 anos. Produzida por Zeca Baleiro, a obra contou com composições de Vander Lee, Ângela Rô Rô e Zé Ramalho.

Em entrevista ao EXTRA no fim daquele mesmo ano, Vanusa lembrou o episódio em que confundiu a letra do Hino Nacional, durante uma cerimônia na Assembleia Legislativa de São Paulo, em 2009. À época, a artista se tornou alvo de chacota na internet, o que desencadeou uma série de problemas psicológicos.

— Depois daquele dia, em que eu estava passando mal, descobri que tinha labirintite nervosa e estava no fundo do poço. Só soube que meu vídeo era uma febre mais de um mês depois. Se soubesse logo de cara, eu morreria. Naquele momento, quis parar e rever minha vida. Eu não admitia que tinha errado daquele jeito — relembrou ela na ocasião.

Fonte: G1

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