Manter os vínculos afetivos e o contato próximo com os alunos tem sido um desafio para educadores durante o período de distanciamento social, ocasionado pela pandemia do novo coronavírus. Mas, por terem consciência da importância de não deixar nem um para trás, gestores e professores de unidades de ensino da rede pública estadual cearense têm se mobilizado para realizar buscas ativas de estudantes a fim de garantir a permanência de todos na rotina escolar.

Como forma de manter o engajamento dos estudantes durante a suspensão das aulas presenciais, a Escola de Ensino Médio (EEM) Eunice Maria de Sousa Freitas, localizada em Mauriti, desenvolve o “Dia D da busca ativa”. A ação, que ocorre todas as segundas-feiras, é direcionada a estudantes com pendências nas atividades, com pouca participação nas aulas remotas aulas ou baixa interação com a turma, segundo o diretor da unidade, João Paulo dos Santos.

“Tentamos acolher os alunos, sondar os motivos pelos quais estão ausentes das atividades escolares e, quando é o caso, tentamos solucionar ou amenizar o problema. Conversamos também com a família, na tentativa de compreendermos a situação e fortalecermos o vínculo entre família e escola”, esclarece.

De início, conforme o diretor, a busca ativa era realizada pela equipe da gestão escolar e pelos professores diretores de turma. Entretanto, com o prolongamento do distanciamento social, ele conta que houve a necessidade de intensificar a ação envolvendo todos os professores.

“Cada professor ficou com um grupo de alunos para monitorar e acompanhar por meio do whatsapp e de outras redes sociais, como também, por telefone. Quando a escola não consegue contato por nenhuma destas formas, realizamos uma busca mais intensa, até conseguirmos”, explica o diretor.

Superação

Daniele Félix, de 18 anos, é aluna da 3ª série do Ensino Médio na EEM Eunice Maria de Sousa Freitas. A jovem revela que sempre foi bastante empenhada nos estudos, mas que durante algum tempo cogitou desistir, devido a uma situação pessoal que estava vivenciando. Foi então que a escola interveio e procurou formas de motivá-la novamente à aprendizagem.

“Ninguém da escola desistiu de mim. Sabiam que tenho talento e diziam que não era pra eu desperdiçar essa oportunidade. Foram muito pacientes e compreensivos. E aqui estou! Sempre buscando mais, por enxergar que esse é o caminho certo, graças à escola”, salienta.

A suspensão das atividade presenciais em decorrência da pandemia foi um desafio extra, considerando que Daniele não tinha acesso à internet em casa e, portanto, não podia assistir às aulas remotas. Entretanto, a atenção da escola em providenciar e entregar as atividades impressas à jovem, além do contato constante por telefone, tornaram possível o acompanhamento correto dos conteúdos pela estudante, assim como, reforçaram os laços afetivos entre todos.

“Tenho difícil acesso à internet, mas a escola encontrou as melhores soluções pra mim. Sempre mandavam mensagens, preocupados comigo, e foi aí que resolvi escutá-los. Não considero só uma escola, mas também, a minha segunda casa, onde há pessoas que se preocupam com a aprendizagem e o futuro dos estudantes. Os gestores são muito prestativos, fazem de tudo pra ver seus estudantes se interessarem, e acredito que fazem isso não por obrigação, mas por amor”, acrescenta.

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