A eleição municipal deste ano concentra diversos fatores que farão dela uma eleição fora do comum, um deles sendo a mudança na legislação eleitoral, vigente a partir deste pleito, que extinguiu as coligações em eleição proporcional – ou seja, para cargos como vereador, deputado estadual e deputado federal. Com isso, a expectativa é de que haja uma reorganização dentro das alianças e dos próprios partidos individualmente já antecipando uma renovação acima do comum nas casas legislativas.




                                         


Para muitos, trata-se de uma oportunidade para nomes novos se apresentarem à população e conseguirem bons resultados. Em meio a isso, um tipo de candidatura que chama a atenção é o de postulantes muito jovens, especialmente dentro da perspectiva do mundo político, que apostam justamente nessa expectativa de renovação para se lançar – vindo de todas as partes do espectro político.
Em Fortaleza, uma das candidaturas à Câmara Municipal que se encaixam nesse molde é a de Carmelo Neto (Republicanos), de apenas 18 anos. Ele, que foi conselheiro de Juventude do governo federal nos meses que antecederam o período eleitoral, aposta no apoio da juventude conservadora da capital cearense para se eleger. “Essa nova geração, ou nova onda de gente jovem conservadora vai transformar o Brasil. Pessoas como eu e o André [Fernandes, deputado estadual], que viram no governo petista o mar de corrupção, malandragem e aparelhamento estatal e resolveram ir pra rua colocar a cara a tapa para mudar o Brasil”, destaca.
Carmelo Neto, que ganhou notoriedade principalmente após comandar o Movimento Brasil Livre (MBL) no Ceará, destaca ainda que é “100% fechado com Bolsonaro” e que a experiência que teve sendo membro do Conselho de Juventude o capacita para a atuação parlamentar. “Me descompatibilizei pelo período eleitoral, e a experiência foi muito gratificante, trabalhar ao lado da ministra Damares [Alves] e outros tantos grandes jovens que lutam, como eu, pelo Brasil. […] O Conselho é como um Parlamento, não é um cargo executivo onde uma pessoa tem autonomia e poder, mas um órgão onde pessoas discutem projetos e botam pautas em discussão, então é parecido com o formato que temos na Câmara Municipal”, continua.
Outra candidatura a vereador também na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) é a de Lucas Lins (Psol), que disputará em Caucaia. Segundo ele, o protagonismo da juventude na política é fundamental, mas além de ser jovem é necessário ainda “romper com os interesses das velhas oligarquias e da elite política que sempre governou Caucaia. Isso é renovação política, e eu acho que o povo está cansado dessa velha político e o resultado será sim uma renovação na Câmara dos Vereadores.” Lucas elenca como suas principais bandeiras a defesa dos serviços públicos de qualidade, a promoção da diversidade cultural e a luta pelos direitos humanos, em particular da comunidade LGBT.
Ele, que tem hoje 22 anos, conta que começou seu engajamento na adolescência, ao entrar em contato com pastorais sociais e movimentos de juventude da Igreja Católica, tendo se aproximado da política partidária de fato no ano de 2016, “na luta contra o golpe e pelo Fora Temer”, por meio do movimento estudantil da Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Trajetória
Rafael Mota Reis (Podemos), que tem hoje 30 anos, conta que também foi uma dessas pessoas que iniciaram o contato com a política partidária já na adolescência, com sua primeira filiação tendo sido feita aos 16 anos. Ele, que ainda hoje pode ser considerado um político jovem, levando em conta que as médias de idade nesse mundo ficam bem acima, também vai tentar uma vaga este ano na Câmara Municipal de Fortaleza e conta que teve que passar por um percurso antes que conseguisse “se encontrar” dentro da política.
“Confesso que à época [da primeira filiação] não me empolgou muito, esperava mais da política, uma forma diferente de fazer política. Acabei me afastando do partido, que minha primeira filiação foi ao PSC, e aí a segunda foi no Solidariedade, há cinco anos. Mas também não vi possibilidade alguma de participação política, em construção sem ter força política e poderio econômico, alguma força por trás”, explica. Foi no Podemos que ele encontrou o que procurava, após conversas com Fernandão, que comanda a legenda localmente.
Ele, assim como os outros dois, também aposta na força de nomes novos na política local: “Vínhamos conversando e ele [Fernandão] falava da proposta de trazer só candidaturas novas, que não têm mandato, com capacidade de trazer ideias de renovação para a política.”

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