Camilo e comitiva em Jati, cidade do Ceará onde ocorreu o rompimento da tubulação da barragem da transposição do rio São Francisco (Foto: Divulgação/Governo do Estado)
Camilo e comitiva em Jati, cidade do Ceará onde ocorreu o rompimento da tubulação da barragem da transposição do rio São Francisco (Foto: Divulgação/Governo do Estado)






O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), reforçou que, "segundo técnicos do Ministério (do Desenvolvimento Regional), não há risco" de rompimento da barragem de Jati, no interior do Ceará. Camilo concedeu entrevista ao jornalista do O POVO, Farias Júnior, no início da tarde deste sábado, 22, direto da cidade onde se rompeu nessa sexta, 21, uma das redes de tubulação da barragem que recebe água da transposição do Rio São Francisco.


"Por questão de segurança, o Ministério orientou que as famílias que foram deslocadas permanecessem fora das suas residências nos próximos dias", disse o governador. "A prioridade é manter essas famílias salvas em locais adequados, sem risco, para que elas possam retornar após o serviço concluído por parte do Ministério". O governador afirmou ainda que colocou a disposição o setor de Saúde, EPIs e cestas básicas para as famílias.


 Ainda na noite da sexta, após avaliação feita por engenheiros da obra e técnicos da Defesa Civil de Jati, havia sido constatado que o rompimento da tubulação não oferecia riscos de danos à estrutura e nem à população. Mesmo assim, o acidente provocou a remoção de cerca de 2 mil moradores na madrugada deste sábado, 22. A evacuação foi confirmada pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). A pasta frisou que o vazamento já foi solucionado e que a evacuação ocorre de forma preventiva, "zelando pela preservação de vidas em primeiro lugar”, diz a nota do órgão.

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Além de Camilo e comitiva com titular da Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH), Francisco Teixeira, estão no local o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Cel. Alexandre Lucas. Especialistas em segurança de barragens e em gestão de riscos também compõem a equipe da Defesa Civil Nacional enviada ao local. 

O trecho do talude da barragem Jati destruído pelo estouro de um conduto de concreto na tarde de sexta-feira, 21, deverá ser recuperado no prazo de três a cinco dias. Talude é a superfície inclinada da parede, que foi afetada pela força da água que escapou no vazamento.

Buraco próximo à parede da barragem em Jati será recuperado em até 5 dias

O buraco escavado em poucas horas de água despejada impressiona, mas O POVO apurou que a recomposição do diâmetro surgido deverá ser feita pela técnica de enrocamento. Serão despejadas grandes pedras, com os intervalos preenchidos por pedras menores, o que aumentará a resistência para o volume de água do reservatório. A medida estaria dentro das normas técnicas mundiais adotadas para este tipo de acidente.

A operação é considerada de emergência e está sendo feita pelas empreiteiras Serveng e Ferreira Guedes, que atuam na obra da transposição do rio São Francisco. Uma avaliação mais específica ainda deverá apontar o que de fato causou o vazamento. Ainda não seria possível apontar, segundo uma fonte, se foi falha na espessura do conduto ou erro no volume de água liberada. As hipóteses não estariam descartadas.

O vazamento não comprometeu os testes operacionais do Cinturão das Águas. O conduto que estourou fica do lado contrário da barragem, o que lança água para os estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. "É , é do outro lado, não afeta em nada a distribuição de água para o Cinturão", garantiu a mesma fonte ao O POVO.

O Cinturão está recebendo vazão aproximada de 4 mil litros por segundo (4 m³/s) durante os testes. A água liberada já teria enchido os dois primeiros sifões no caminho para chegar ao riacho Seco e, na sequência, descer pelo leito do rio Salgado e alcançar o rio Jaguaribe. A previsão é de que em quatro meses chegue ao açude Castanhão, para garantir o abastecimento da Capital e Região Metropolitana.As comportas da barragem de Jati foram abertas na última quinta-feira e passaram a lançar água para o Cinturão.

Principal motivo da evacuação é a dificuldade de avaliação técnica do local do rompimento de um dos condutos da barragem, bem como da represa em si. Um fator que estaria agravando a dificuldade de um parecer técnico no local seria a falta de iluminação adequada, conforme pontuou o MDR.

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Segundo a pasta, os moradores estão sendo comunicados da necessidade de se retirarem do local por meio de carros de som que percorrem as vias da cidade. Profissionais da Defesa Civil e trabalhadores da empresa que gerencia a barragem foram convocados para ajudar na divulgação do alerta, visitando residência por residência.

As famílias receberam auxílio para se deslocarem em direção a hotéis, pousadas e alojamentos na região ou para irem até a casa de parentes e amigos que morem mais afastados da barragem, segundo informou o MDR. A situação deve se manter “até que sejam feitas todas as avaliações técnicas das estruturas do reservatório”, pontuou o ministério.

A evacuação ocorre horas após o próprio Ministério do Desenvolvimento Regional anunciar que engenheiros da obra e técnicos da Defesa Civil de Jati terem pontuado que o vazamento não teria gerado qualquer risco de rompimento da barragem. A ruptura ocorreu um dia após a comporta do reservatório Jati, no Interior do Ceará, ser acionada para liberar as águas do São Francisco para o abastecimento do Estado.

CONFIRA VÍDEO DO ROMPIMENTO


Ainda na sexta-feira, 21, por volta das 22 horas, o Corpo de Bombeiros confirmou ao O POVO que nenhum dano ou alagamento foi causado em residências da região, mas o titular da Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH), Francisco Teixeira, havia pontuado preocupação de que o fluxo de água liberado pelo vazamento causasse um processo de erosão em alguma parte no entorno da infraestrutura da barragem.

O estouro da tubulação ocorreu após falha em uma das tomadas d’água que controlam as comportas de vazão do reservatório. Com o vazamento, o sistema elétrico da barragem ficou comprometido e foi necessário a instalação de um gerador para garantir que a comporta fosse fechada, interrompendo o vazamento. Técnicos de manutenção e engenheiros da obras estão no local desde o início do vazamento na tarde de sexta-feira, 21. 

   o Povo 

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