A edificação foi construída nos anos 1930 por por Aziz Khalil Jereissati, pai do senador Carlos Jereissati.Adriano Accioly/Nossa Praça Urgente (Foto: Adriano Accioly/Nossa Praça Urgente)
A edificação foi construída nos anos 1930 por por Aziz Khalil Jereissati, pai do senador Carlos Jereissati.Adriano Accioly/Nossa Praça Urgente (Foto: Adriano Accioly/Nossa Praça Urgente)

“Aquela casa é uma das únicas que ainda preserva a história da região”, assim está registrada a antiga casa do senador Carlos Jereissati na memória do corretor de imóveis Adriano Accioly, 55, integrante do movimento Nossa Praça Urgente. A instituição entrou com pedido no Ministério Público do Ceará (MPCE) para que o terreno, onde hoje se localiza o restaurante Boteco Praia, seja tombado. O pedido foi feito e divulgado nas redes sociais no dia 31 de julho.

Distinta de qualquer construção nos arredores, a estrutura da casa pode até passar despercebida pelos olhares mais desatentos, mas é retrato da memória de Fortaleza. Construída nos anos 1930, a edificação abrigou o político que dá nome a pelo menos quatro vias, dois bairros e seis escolas do Estado. “Impensável se imaginar o princípio da nossa avenida Beira Mar, sem a icônica casa, que durante quase um século assiste a metamorfose frenética da nossa cidade”, ressalta o documento que pede o tombamento.  

Pai do senador Tasso Jereissati (PSDB), Carlos foi figura de destaque na política local da época. Ele se encontrou com grandes nomes nacionais e internacionais, como os presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek, além dos papas João XXIII e Pio XII. Foi até mesmo elogiado em uma carta enviada pelo senador Epitácio Pessoa à Getúlio. O motivo seria o político ter prestado contas e devolvido parte do auxílio eleitoral que recebeu para sua campanha. 

Em nota, o MPCE disse que o pedido de tombamento foi ratificado e encaminhado para o Conselho Estadual de Patrimônio Artístico e Cultural (Coepa), vinculado à Secretária de Cultura do Estado, órgão responsável por iniciar o processo de tombamento. A ação foi realizada pelo Centro de Apoio Operacional de Proteção à Ecologia, Meio Ambiente, Urbanismo, Paisagismo e Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Caomace).

A Secult Ceará afirmou, em nota, que o processo de tombamento do imóvel foi aberto hoje, 6 de agosto. A pasta municipal, Secultfor, disse que não foi protocolado nenhum pedido de tombamento no órgão. 

Veja a nota da Secult na íntegra:

"A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE) informa que foi aberto, no dia 6 de agosto, a solicitação do processo de tombamento da antiga casa do senador Carlos Jereissati. O processo tramita agora internamente e segue um percurso legal: abertura do tombamento, é enviado para análise da Coordenadoria do Patrimônio Cultural e Memóriada Secult-CE pelos arquitetos da Secult, que farão um parecer que diz se a coordenação é favorável ou não ao tombamento do bem, e ocorre a apresentação do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado do Ceará (Coepa), seguida de votação do tombamento provisório. Com a aprovação do Tombamento Provisório, a comissão do Conselho tem um prazo de um ano para realizar o Tombamento Definitivo".

Tombamento do Ideal Clube não contemplou o entorno, critica movimento

 

Tombamento do Ideal Clube, na Praia de Iracema, gerou críticas do movimento.
Tombamento do Ideal Clube, na Praia de Iracema, gerou críticas do movimento. (Foto: Adriano Accioly/Nossa Praça Urgente)


Costumeiramente, quando se tomba uma edificação histórica, seu entorno também é preservado. Isso aconteceu com o clube do Náutico, que passou pelo processo no mesmo período em que o Ideal Clube. De acordo com o movimento Nossa Praça Urgente, no caso da construção localizada na Praia de Iracema, que fica próxima à antiga casa do senador Carlos Jereissati, não foi conservada nenhuma parte do entorno, mas apenas o terreno ocupado pelo clube.

O presidente da IAB-CE, Jefferson John, disse que isso aconteceu devido à falta de recurso e corpo técnico envolvido no processo do tombamento. Ele ponderou que uma das determinações que a instrução de tombamento deveria estabelecer seria a altura máxima de edificações. “Esse vazio sempre será muito ruim, tanto para quem quer empreender como para quem quer proteger. Nas fotos da casa, é possível ver uma torre sendo erguida em uma arquitetura exótica, que imita um estilo presente em Dubai e Miami”, critica.

Leia a íntegra da nota divulgada pelo MPCE

 

O Centro de Apoio Operacional de Proteção à Ecologia, Meio Ambiente, Urbanismo, Paisagismo e Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Caomace) do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) recebeu pedido relacionado ao tombamento da casa do Carlos Jereissati, em Fortaleza. Como órgão de assessoramento da Procuradoria Geral de Justiça e membro conselheiro do Conselho Estadual de Patrimônio Artístico e Cultural (COEPA), o CAOMACE ratificou o pedido e o encaminhou para referido Conselho, o qual é vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult), e responsável em iniciar o processo de tombamento.

No âmbito dos órgãos de execução do MPCE, o pedido foi recebido pela Secretaria Executiva das Promotorias de Justiça de Meio Ambiente e Planejamento Urbano e foi distribuído para a 134ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, com atribuição legal para o caso, para análise do pedido e adoção das providências cabíveis.

o Povo 

 

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