Ao determinar a prisão de Fabrício Queiroz, o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, alegou que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) poderia atrapalhar as investigações sobre o esquema de rachadinha na assembleia legislativa estadual (Alerj), do qual é apontado como operador do filho do presidente. Ele foi encontrado ontem (18), em Atibaia (SP), em um imóvel de propriedade do advogado Frederick Wassef, que defende Flávio no processo. O juiz também menciona pagamentos feitos em dinheiro vivo por Queiroz de despesas do senador.
Nas 46 páginas de seu
despacho, o juiz destaca que o policial militar aposentado, mesmo fora
do Rio, tinha influência sobre milícias e não se limitava ao papel de
arrecadador de recursos entre os demais assessores de Flávio. O
magistrado aponta, citando apurações do Ministério Público, que o
investigado também transferiu recursos para a família do senador.
"A
análise de suas atividades bancárias permitiu ao GAECC/MPRJ comprovar
que Fabrício Queiroz também transferia parte dos recursos ilícitos
desviados da Alerj diretamente ao patrimônio familiar do então deputado
estadual Flávio Bolsonaro, mediante depósitos bancários e pagamentos de
despesas pessoais do parlamentar e de sua família", diz trecho da
decisão .
O juiz cita um depósito em espécie, no valor de R$
25 mil, para a conta bancária da esposa de Flávio em 2011, quando ele
era deputado estadual e tinha Fabrício Queiroz entre seus assessores. De
acordo com o texto assinado por Itabaiana, o depósito foi feito pelo
próprio assessor. Também aponta que o policial aposentado pagou
mensalidades escolares das filhas do então deputado estadual.
De
acordo com os investigadores, datas, horários e valores comprovam que
Queiroz realizou os pagamentos em dois títulos nos valores de R$
3.382,27 e R$ 3.560,28, pagos no dia 1º de outubro de 2018. As
investigações também levantam suspeita sobre o pagamento do plano de
saúde da família do senador. O valor foi pago em espécie, mas o recurso
não saiu da conta do filho nem da nora do presidente, segundo o
Ministério Público.
(Do Congresso em Foco)
