Miss Plus Size Ceará realiza fase virtual para escolha de candidatas; inscrições estão abertas

Blog do  Amaury Alencar
A organização espera que a fase final possa ser realizada presencialmente em outubro seguindo recomendações sanitárias (Foto: Divulgação)
A organização espera que a fase final possa ser realizada presencialmente em outubro seguindo recomendações sanitárias (Foto: Divulgação)
Em meio à pandemia de Covid-19, se engana quem pensa que o trabalho das misses e de profissionais da área pararam. O Miss Plus Size Ceará 2020 está com inscrições abertas até 30 de junho e realiza as primeiras fases de forma virtual. As vencedoras desta etapa estarão representando seu município na fase final que até o momento de planos de acontecer presencialmente em outubro.
Além da possibilidade de ser coroada e da visibilidade, muitas das que participam almejam outras coisas: discutir padrões de beleza e gordofobia ou se reconhecer como uma mulher bonita. É o que conta Jaqueline Queiroz, diretora geral e organizadora do evento. Há nove anos no mercado, ela relembra como participar do concurso significa sempre mais que só desfilar, bater fotos e ser coroada Miss, tem como pano de fundo um sonho de infância, muitas vezes negado para meninas gordas, ou o desejo de lutar contra críticas. "Quando elas chegam para gente, sempre tem algo ou depressão, ou porque o namorado deixou, ou não se aceita como gorda, ou porque era magra e engordou e não consegue lidar. Elas veem no Miss(concurso) como um socorro", conta a organizadora.
Ela explica que alguns casos é preciso acompanhamento, já não é exatamente função do processo resolver questões mais específicas. Entretanto, as participantes têm acesso a palestras e treinamentos com profissionais como coaches e consultores para trabalhar a própria imagem. O concurso insere etapas e procedimentos padrões de concursos de beleza, como desfiles em trajes específicos e ensaios de coreografias. Mas nem só de beleza uma Miss vive. Jaqueline conta que um dos principais aprendizado do percurso até o desfile final é a autoaceitação social. Ela relembra as trajetórias que teve escutou ao longos anos: mulheres que a própria família não aceitava, mulheres que desde criança não se gostavam no espelho, mulheres que se rejeitavam.
A diretora afirma que até o próprio discurso pode esconder a gordofobia. " Eu sempre falo essa palavra gordo. Nós somos gordas. Eu tiro logo esse estigma 'eu sou fofinha ou cheinha'. Isso são diminutivos que a gente foi ensinada a falar", explica. Esse trabalho na carga emocional que a gordofobia é algo que ela faz questão de trabalhar. "Mesmo que ela não ganhe o concurso, ela já ganha por estar ali. Você está fazendo parte de um movimento que valoriza a forma do corpo delas", completa a organizadora.
Escutar o que ninguém gostaria foi algo que a advogada Isadora Araújo, 25, teve que passar na infância e no início da vida adulta. Os comentários negativos foram minando aos poucos a autoestima da jovem, que, aos poucos foi voltando com um novo pensamento. Ela é uma das concorrentes na disputa para próxima fase." Com isso de ver que todas temos nossa beleza, independente do nosso corpo, isso vai ajudando muito na nossa aceitação. É uma má educação social, que a mulher gorda é feita. Que só a mulher magra é perfeita e pode ser a protagonista da novela. A gorda ela não pode, tem que ser a irmã feia", questiona ela. 
Não só como mulher, se colocar nessa mudança de ocupação, da advocacia para a modelagem, tem ajudado na carreira da jovem. "A gente fica meio em dúvida com imagem, porque advogados precisam dessa visão boa, para que atrair clientes, mas é uma divulgação positiva, estamos falando de assuntos relevantes e porque, para ser Miss, não preciso só da beleza, mas do conjunto inteiro", explica Isadora.
Diferente dela a estudante Natasha Vandaal,18, sempre sonhou com os flashes e a passarela. Desde pequena corria para tirar fotos e gostava da exposição, mas o desejo foi olhado de longe, porque sempre foi gorda e não conseguia identificar pessoas parecidas com ela no meio. No mesmo ano em que completou a idade necessária para participar, Natasha correu para ser uma das candidatas. Assim como conseguiu, em espaços de valorização do próprio corpo, ela deseja ser um reflexo para outras meninas. 
"Eu to aqui não só pela coroa, mas também por representatividade, porque quando você é gorda já é muito difícil, mas quando você é gorda e negra, é mais difícil ainda e várias portas de fecham. To representando todas as meninas gordas e negras que se sentiram insuficientes, que escutaram palavras que as desmotivaram, que as fizeram desistir dos próprios sonhos", completa ela.
Para a inscrição, as candidatas deverão fazer um vídeo de apresentação de até 1 minuto e enviar uma foto para a coordenação do concurso, por meio do WhatsApp (85) 999926655. Após a análise, será feita uma entrevista on-line com um jurado de oratória. A organização espera que a fase final possa ser realizada presencialmente em 18 outubro, em Fortaleza, seguindo recomendações sanitárias.
Os requisitos para as candidatas são os seguintes: ter entre 18 e 37 anos; manequim a partir do 44; possuir residência fixa ou ser natural do estado do Ceará e não estar participando de outro concurso.

Serviço

Miss Plus Size on-line 2020
Inscrição até dia 30 de junho
Resultado dia 17 de julho
Taxa: R$ 100,00  
  o POVO