Fila para receber auxílio emergencial no Rio de Janeiro 15/4/2020 REUTERS/Ricardo Moraes
Desde que começou a quarentena para combater o coronavírus, a diarista Izabel Cruz de Oliveira perdeu todas as faxinas que fazia durante a semana. Ela conseguia tirar R$ 800 por mês - dinheiro que bancava os três filhos, sendo o mais novo de um ano de idade. "Com a pandemia, fui dispensada de todas as casas."
Hoje, sem trabalhar, ela vive de doações. O pai, aposentado, compra as fraldas do bebê e uma vizinha dá o leite. A igreja também ajuda com outros produtos, diz Izabel. Ela mora numa invasão na zona leste de São Paulo, por isso, não paga água nem luz. "Nunca vi nada tão assustador como isso que estamos vivendo", afirma a diarista.
Como na casa de Izabel, o desemprego já bateu na porta de quase um terço das famílias que ganham até um salário mínimo. Segundo pesquisa feita pela consultoria alemã Roland Berger, 30% dos entrevistados - nessa faixa de renda - dizem já ter, pelo menos, uma pessoa sem emprego em casa por causa do coronavírus.
"Quanto menor a renda, maior o impacto da crise sobre essa população mais vulnerável", afirma Marcus Ayres, sócio da consultoria e um dos responsáveis pela pesquisa. Segundo ele, o resultado reflete o efeito da crise nos pequenos negócios, que concentram os empregos de menor renda. É um efeito em cascata: a lojinha do bairro fecha as portas, deixa de faturar e demite o balconista, que para de consumir, explica ele.
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