A transexual Karina Silva, 22 anos, que foi encontrada com marcas de várias facadas em São Paulo,
na quarta-feira (12), foi morta três dias antes de retornar ao Ceará
para visitar os familiares. Familiares e amigos prestaram, as últimas
homenagens à Katarina neste sábado (15), em um cemitério situado no
Bairro Bom Jardim, em Fortaleza.
O corpo da jovem chegou
na capital cearense três dias depois do crime. Conforme a Secretaria da
Segurança Pública (SSP), de São Paulo, o suspeito do assassinato foi
identificado e preso.
O corpo da transexual foi encontrado com
várias marcas de facadas na região do Parque do Carmo, na Zona Leste de
São Paulo. Segundo informações da Polícia Civil, o corpo foi encontrado por outra transexual que acionou a Polícia Militar.
A auxiliar de serviços Rafaela Silva,
amiga de Karina, disse que a jovem morta por golpes de faca “era uma
pessoa muito querida e maravilhosa”. Ela afirmou também que parentes e
amigos tinham ressalvas em relação à mudança para São Paulo.
“É uma dor terrível. Não tem explicação,
não tem. O único sonho dela era poder ajudar a família dela. Esse
monstro destruiu o sonho dela. Eu só peço justiça para que esse caso não
fique impune. Ela não fazia mal para ninguém. A gente pediu para ela
não ir, porque lá acontecem essas coisas, a gente temia por ela, mas ela
não ouvia. Ela tinha uma viagem marcada para hoje para vir para cá. Ela
veio, mas veio morta”, disse emocionada.
“Uma menina muito boa”. É como a irmã de
Katarina descreve a vítima. Antônia Cristina, que esteve no enterro,
soube do assassinato por meio de uma ligação. Uma colega da transexual informou sobre a morte.
Ela informou ainda que o velório
aconteceu nessa sexta-feira (14), após o corpo chegar na madrugada de
ontem. Apesar de inconformada com o caso, a manicure se sente grata pela
prisão do suspeito, mas pede justiça.
“Tudo isso é muito triste. Ela não
merecia. O sonho dela era dar uma vida melhor para minha mãe. Mas Deus é
fiel, é bom, e o monstro já está preso. Queremos justiça, estamos aqui
para fazer justiça para que ele continue preso”, falou a irmã.
Família abalada
O cunhado da vítima, Lucas Magalhães disse que Katarina, antes de morrer, conseguiu ainda realizar parte do sonho de ajudar a família, ao reformar a casa da mãe. O supervisor de vendas afirmou também ser inconcebível que casos como este continuem acontecendo. Ele chegou a citar a travesti Monike Matias Chagas, de 25 anos, encontrada morta no município de Missão Velha, no Sul do Ceará, na manhã de ontem.
“Ela tinha maldade com nada. Foi para
São Paulo para realizar os sonhos dela, para dar uma vida melhor pra mãe
dela. Inclusive, ela conseguiu parte desse sonho, que foi reformar
parte da casa casa da mãe dela. Foi muito doloroso. Todo mundo que
conhece a Katarina sabe que ela é uma pessoa dócil, uma pessoa amável,
tanto aqui como lá.
A família está muito abalada e a gente só pede justiça.
Que a pessoa que fez isso passe o resto da vida na cadeia. Queremos um
basta, que não seja só mais um caso. Ontem mesmo aconteceu outro, que é a
Monike, e nós queremos que isso não aconteça mais, que não seja só mais
um número”, disse o servidor.
O suspeito de matar Katarina Silva, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, foi preso
por policiais do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à
Pessoa (DHPP), na madrugada deste sábado (15). Ele cumpre uma “prisão
temporária de 30 dias, decretada pela Justiça.”
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G1