O ex-deputado federal cabo Flávio Sabino (Avante) afirmou que a paralisação dos policiais militares
é "caso de exceção" e que os amotinados devem se preparar para entregar
os quartéis ocupados quando a negociação entre Governo do Estado e
categoria for bem sucedida. Nessa terça-feira, 25, Governo, Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e Judiciário anunciaram comissão para negociar o fim da paralisação.
"O movimento não terminou, nós ainda não
recebemos nenhuma ligação pra sentar a mesa, pra resolver. Não é momento
para desarticular. É momento para o movimento ganhar força", disse
Sabino em transmissão ao vivo no Facebook.
"Quando parar, vamos dizer. Os quarteis que estiverem
ocupados pelos militares e esposas no Interior do Estado, já vão
preparando a comissão para entregar os quarteis, entregar direitinho, do
jeito que recebeu", explica. "Vamos nos preparar para isso e voltar a
normalidade da vida. Quando terminar, temos dever moral de manter a
hierarquia, disciplina, fazer o que a lei manda".
Ele classifica o Presídio Militar, onde estão presos
policiais militares, como um "campo de concentração": "não tinha cama,
não tinha água pra nada, cheio de muriçoca, sem luz. Um verdadeiro
absurdo".
Sabino diz que nessa terça, agentes da polícia
especializada aderiram ao motim. Ele cita Comando Tático Motorizado
(Cotam), Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), Ronda de Ações
Intensivas e Ostensivas (Raio) e Comando Tático Rural (Cotar). "Esses
caras têm muita coragem porque não é por questão de salário, é de
dignidade humana", disse. Pediu ainda, a quem for aderir, que não leve
mais viaturas ao 18º Batalhão da Polícia Militar, base da mobilização.
Nomes foram definidos em reunião na sede do Ministério Público do Estado
(MPCE) na manhã desta quarta-feira, 26. Entre eles estão o
procurador-geral do Estado, Juvêncio Viana; o deputado Evandro Leitão
(PDT); o corregedor-geral, desembargador Teodoro Silva Santos; e o
procurador-geral de Justiça, Manuel Pinheiro.
No fim de semana, a Controladoria
Geral de Disciplina (CGD) instaurou Conselho de Disciplina para apurar a
conduta do ex-deputado e apurar "a incapacidade moral do mesmo de
permanecer nos quadros da Polícia Militar do Ceará". As informações estão nas páginas 94 e 95 do Diário Oficial do Estado do último dia 21.
o povo