História de caririense conhecida como ‘Rainha do Jango’ pode virar filme; saiba como ajudar

Blog do  Amaury Alencar
A história de uma caririense que ficou famosa na época da reforma agrária brasileira, durante a presidência de João Goulart, já é ilustrada em um livro sobre sua vida, e poderá até ganhar um filme. Januária Maria da Conceição, que se viva deverá ter 86 anos, não ficou conhecida por concursos de beleza ou por pioneirismos em alguma mídia nacional, mas por ser umas das primeiras mulheres a representar a sua categoria numa das épocas de maior revolução no país, em plena Ditadura Militar. Seu paradeiro atualmente é desconhecido, e o leitor poderá ajudar a achá-la, para que um longa-metragem sobre sua vida seja realizado.

História da “Rainha do Jango”

Livro sobre a vida de Januária, publicado em 2011 por Aldair Lucas Carvalho. Foto: Reprodução/Arquivo
Nascida em 19 de setembro de 1933, em Caririaçu, Januária cresce em meio a agricultura familiar, tornando-se também agricultora. Ao 21 anos, durante a década de 1960, muda-se para São Paulo com marido e uma filha, onde veio a trabalhar na indústria metalúrgica junto ao marido durante o dia e caixa em um cinema à noite.
Foi em 1963, durante a 1ª Convenção das Mulheres Trabalhadoras, que esta foi escolhida escolhida como representante oficial das mulheres naquela época. Um ano depois, o então presidente João Goulart procurava uma mulher para representar a reforma agrária. Foi então que Januária foi indicada.
Segundo o autor Aldair Lucas Carvalho, que publicou a biografia de Januária, intitulada “A Rainha de Jango” em 2012, ela não sabia o que era reforma agrária.
“Ela sempre foi uma mulher urbana, se criou no campo, mas não mexia com lavoura, era mais de casa. Mas mesmo assim, embarcou em um ônibus para Brasília, com a Comissão Pró- Reforma Agrária, em 25 de março de 1964”, conta Aldair Carvalho.
As páginas do livro, que em seu lançamento contou com a presença da própria, ilustram o diálogo de Januária com o então presidente da república, onde esta recebe o título em 1964, que a ela foi concedido e devendo representar a reforma agrária pelos próximos cem anos.
“Excelentíssimo Senhor Presidente João Goulart, o que me traz à vossa presença é pedir para toda a nação a reforma agrária”, disse ela ao aceitar o título.
Jango assinou então um decreto nomeando Januária a Rainha da Reforma Agrária até o dia 25 de março de 2064.
Seis dias depois de ter passado por momentos de “realeza” Januária volta a São Paulo e se depara com a revolução, por conta da Ditadura Militar. Segundo o autor da obra em nome da “Rainha do Jango”, ela não sabia o que estava acontecendo e quando começam os tiroteios nas ruas de São Paulo, prendem-na e só depois de seis meses consegue escapar.
Após viver cerca de nove anos ilegalmente, Januária pode na década de 1970, com a lei da anistia, viver livre e de forma legal. Veio a trabalhar nessa época, inclusive, na emissora de televisão SBT, no programa “Praça da Alegria”, hoje “A Praça é Nossa”, comandado por Carlos Alberto de Nóbrega.
Na década de 1980, decide morar junto aos irmãos no interior do Mato Grosso do Sul, nas cidades de Glória de Dourados e Fátima do Sul, sendo que posteriormente viveu em Dourados até conseguir um lote no assentamento São Sebastião, onde permaneceu até 2011. Devido a vários momentos difíceis passados na família, como a morte do genro, da filha e da neta, Januária decidiu devolver o seu lote no assentamento ao Incra e retornar ao Cariri para passar seus últimos dias em sua cidade de origem, onde até então permanece sem mais saberem de sua localização.

Filme de sua vida

O jornalista e escritor Nicanor Coelho, natural de Dourados, no Mato Grosso do Sul, viu em Januária uma inspiração forte para a produção de um filme sobre a mulher. Segundo ele, a temática é importantíssima, principalmente pela história ter se passado numa época tão conturbada e também pelo cenário político atual.
Ele afirma que o roteiro para o longa já está pronto, e foi realizado junto a jornalista e cineasta sul-mato-grossense Marinete Pinheiro, que tem ampla experiência em cinematografia. O projeto junto ao roteiro agora deve seguir para captação de recursos.
“Estamos elaborando o roteiro, mas vamos procurar um produtor que tenha interesse para produzir o filme. O nosso trabalho é tentar fazer a coisa acontecer, mas precisamos de uma produtora grande para realizar este feito”, afirma Nicanor.

À procura de Januária

Um grande obstáculo, porém, ainda perpassa a produção do filme. Após sua vinda para a região do Cariri, não mais se soube da localização da “Rainha do Jango”. Os jornalistas então iniciam uma saga em busca do paradeiro de Januária, que segundo informações ainda mora em Caririaçu.
Segundo Nicanor, ela é essencial para construção do enredo do filme, e querem saber se ainda está viva, para que enfim possam dar seguimento a produção do filme sobre sua vida.
Caso você, leitor, que mora em Caririaçu ou nas demais cidades do Cariri souber da localização de Januária Maria da Conceição, conhecida como “Rainha do Jango”, poderá entrar em contato conosco pelo email contato@badalo.com.br, ou pelo telefone/WhatsApp (88) 99205-4502, podendo nos relatar se tem algum conhecimento da localização dela.


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