Um novo sistema de teleconsulta passará a ser
utilizado por profissionais de saúde do Ceará para ajudá-los nos
diagnósticos de doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti. A medida
faz parte do conjunto de ações pensados para este ano pela Escola de
Saúde Pública no combate ao Aedes. Novidade foi divulgada durante
coletiva de imprensa na manhã desta segunda, 13. Além dessas, outras
medidas serão implementadas no Estado, que pretende evitar uma possível
epidemia de arboviroses, principalmente devido à quadra chuvosa.
Segundo Joana Maciel, secretária municipal da Saúde,
esse setor de enfrentamento é permanente e vem atuando desde 2017. O
tema tem sido trabalhado de forma interdisciplinar e deve envolver
outras secretarias, como a de Educação e Conservação e Serviços
Públicos. "O combate ao mosquito transmissor é uma ação que extrapola os
muros da saúde", ressalta Joana.
Ainda conforme a secretária, uma grande preocupação do
Estado é que a epidemia de dengue que vitimou quase dois milhões de
pessoas na Região Sudeste durante 2018 e 2019 possa passar para outros
locais do País que não foram afetados. Segundo Joana, essa espécie de
consequência é comum acontecer um ou dois anos depois.
Outra questão também foi levantada durante a coletiva:
os casos de dengue tipo 2 no Ceará. Há pelo menos 12 anos o sorotipo não
circula pelo Estado, o que significa que parte da população não está
imunizada para este vírus "por não ter nascido nesse período ou por não
ter tido a doença ainda", explica Joana.
A secretária também alertou para cuidados em casa
durante o período chuvoso, como evitar acúmulo de água em reservatórios.
"Por outro lado, estamos nos preparando caso haja aumento desses casos
com capacitação de profissionais, restruturação de unidades. Hoje, 23
postos de saúde estão preparados para fazer, inclusive, hidratação, com
salas de observação, entrega de exames mais rápidos", complementou.
Atualmente, as regionais V e VI são as mais afetadas
pelos casos de arboviroses. Sobre isso, Joana explicou que a secretaria
trabalha com estudos estratificados, identificando os locais que têm
mais casos e onde os mosquitos mais aparecem, para fazer operações
específicas. Em 2019, segundo ela, foram dois milhões de domicílios
visitados por profissionais de saúde, detalha.
Também presente na coletiva, titular da Secretaria da
Saúde do Ceará (Sesa), Cabeto, ressaltou ações pontuais importantes no
combate ao Aedes aegypti, como premiar municípios com menor número de
casos e contínuo treinamento dos profissionais. Ele deu detalhes do
sistema de teleconsulta e disse que a Escola de Saúde Pública continua
elaborando processos de comunicação para facilitar o compartilhamento de
informações.
Segundo Cabeto, a partir da teleconsulta, médicos e
outros especialistas que tiverem dúvidas durante consultas ou outras
ações poderão consultar, via webconferência ou até mesmo pelo WhatsApp,
outros profissionais do assunto, que também poderão ajudar a definir e
estratrégias terapêuticas. Conforme assessoria, ainda não há data para
implantação do sistema, que ainda está sendo construído. Mais
informações sobre serão divulgadas em coletiva nos próximos meses.
Ainda conforme o secretário, as regiões que mais
preocupam a Sesa, devido ao alto índice de arboviroses, são: litoral
leste e sertão central, região centro-sul do Cariri, região acima do
Iguatu, região próxima a Canindé e a região próxima a Quixeramobim. A
expectativa de uma intensa estação chuvosa também é outro fator
preocupante para a pasta, que destaca o treinamento contínuo de
profissionais como um dos fatores que mais ajudam a lidar com o tema.
Tiago Ribeiro, prefeito do município de Cascavel,
localizado no litoral leste, destacou que a atenção será redobrada na
cidade durante o período carnavalesco, quando tradicionalmente há
maiores aglomerações. "Nesse caso específico, contaremos com apoio da
secretaria de Turismo e da pasta responsável pela limpeza pública. A
intenção é tornar o trabalho mais abrangente possível", pontuou.
O gestor ainda ressaltou a importância da integração
com a Sesa para que os municípios e o Estado cheguem a um denominador
comum, tanto em relação à forma de atuação como em relação aos repasses
financeiros.
o Povo