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Vice-Governadoria promove curso de mediação e cultura de paz para comunidade cigana de Pindoretama





A Vice-Governadoria do Ceará realizou um curso sobre mediação comunitária nesta segunda-feira (2) para o Instituto Cigano do Brasil (ICB), em Pindoretama, na Região Metropolitana de Fortaleza. A intenção do encontro, articulado pela Coordenação de Mediação, é estimular o fortalecimento do diálogo, da escuta e da percepção nas comunidades ciganas cearenses.

A parceria entre a Vice-Governadoria e o ICB foi firmada no último dia 31 de outubro. A atividade nesta segunda-feira foi a segunda promovida para os ciganos no Ceará desde então. “Já fizemos um encontro sobre círculos de construção de paz e, agora, sobre mediação. Temos uma articulação também para trazer alfabetização. A maioria não consegue se engajar nas escolas, então teremos uma proposta de alfabetização focada neles”, adianta Nádia de Paula, integrante da Coordenação de Mediação.

Afirmação



Conforme dados do ICB, sete em cada dez ciganos da etnia Calon no Brasil são analfabetos. Rogério Ribeiro pertence ao grupo e é presidente do Instituto no Ceará. Para ele, iniciativas como o curso de mediação são fundamentais para o fortalecimento e a afirmação da identidade cigana.

“No Brasil, é o primeiro curso para nossa comunidade. O Governo do Ceará larga na frente ao dar essa oportunidade e abrir esse diálogo. O povo cigano vive na invisibilidade porque o preconceito ainda é muito perverso e frequente. Agora podemos abrir o diálogo, questionar, dizer que não é assim. Nosso povo precisava desse curso para se sentir mais fortalecido e valorizado”, afirma.

Alfabetização


José dos Santos, conhecido como Raimundo, 59, e Joana Silva Santos, a Real, 25, são pai e filha. Ambos ciganos, viram com otimismo a parceria da ICB com a Vice-Governadoria. Segundo ele, a perspectiva de ver a filha e os netos estudando e conhecendo seus direitos é animadora. “É uma benção. Na época, eu não estudei porque vivíamos vagando pelo mundo, o preconceito era grande, a gente se escondia, dizia que não era cigano com medo de retenção, sofremos muita injustiça”, lamenta.
A filha conta que passou por situação semelhante anos depois. “Na escola, sofri preconceito. E tinham as viagens, sempre estávamos em algum canto diferente. Ter algo adaptado e pensado para a gente vai ajudar muito, não vai ter o bullying de ‘olha a ciganinha’. Temos uma cultura diferente que é vista como de outro mundo. Apontam, falam entre si, deixa a gente receosa até para falar sobre isso”, conta Real.
Preconceito e discriminação são palavras recorrentes nos relatos dos ciganos. Segundo o presidente do IBC, os estigmas dificultam inclusive a mobilização da comunidade, que vive “cismada e desconfiada”. “No entanto, estamos com uma perspectiva muito positiva agora, estamos animados com essa valorização. No primeiro dia, vi muitos participando do curso, contribuindo, demonstrando confiança e respeito, que é o que buscamos”, ressalta.