O projeto reforça o compromisso do Estado em promover uma saúde sustentável, integrada e mais resolutiva. Boas práticas chegaram a reduzir em 70% a superlotação do Hospital do Cariri e 45% o tempo de internação no César Cals, entre outros índices
 
Três hospitais do Governo do Ceará estão inseridos no Projeto Lean desenvolvido por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi - SUS), executado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. A iniciativa visa reduzir a superlotação nas emergências de hospitais públicos através do uso da metodologia Lean, processo que auxilia a gestão hospitalar racionalizando recursos, otimizando espaços e insumos.

A primeira unidade a ingressar foi o Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC). Depois, ingressaram o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e o Hospital Regional do Cariri (HRC). A participação desses hospitais reforça o compromisso do Estado em promover uma saúde sustentável, integrada e mais resolutiva.

Há um ano, o HGCC, tornava-se a primeira unidade de emergência exclusivamente obstétrica a adotar o Projeto Lean nas Emergências, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Após resultado da seleção e curso introdutório em São Paulo, em novembro de 2018, iniciavam as visitas técnicas, que levaram às mudanças e resultados que hoje dão destaque nacional ao hospital.
Natural de Paracuru, a dona de casa Nayara Gomes de Castro, em sua segunda gestação, deu à luz uma menina, Emile Cauane, que nasceu de nove meses na maternidade do HGCC, no sábado (16). Ela, que foi atendida após a implantação do Lean, conta que se sentiu segura na hora do parto e que teve toda atenção para ela e para a filha. Foi para enfermaria em menos de uma hora após o parto.

"Foi tudo muito bom. Eles me examinaram direito, me atenderam muito bem. Não fiquei esperando muito tempo, conta Nayara.

“As expectativas foram superadas, dado o resultado que nós temos colhido, como a diminuição do tempo de permanência, aumento da rotatividade dos leitos e aumento no número de atendimentos”, ressalta. Dessa maneira, observa-se que ações implantadas melhoram a gestão do ambiente hospitalar, com racionalização dos recursos e otimização de espaços e insumos, reforça Flávio Lúcio Ibiapina, chefe de Ginecologia e Obstetrícia do HGCC.


Otimização de processos
Os números são expressivos no HGCC. Houve redução de 45% de passagem pela emergência até a alta, redução de 55% de lotação na emergência, com a paciente permanecendo menos tempo; e o tempo de internação diminui 45%, indo de 4,7 dias para 2,5 dias.

"Desde o início da implantação percebemos que teríamos bons resultados. Nós otimizamos alguns processos de fluxos internos e conseguimos reduzir o tempo de passagem da paciente pela emergência, disseminando a cultura de que é uma unidade de rápida resolução, de decisão de conduta e de passagem. Ela não é uma unidade de internação", confirma Thaís Gomes Facão Borges, gerente do projeto.
Esses resultados foram e são alcançados sem a necessidade de criar mais leitos, apenas com a reorganização de fluxos e aplicação de protocolos, a partir da otimização da estrutura ofertada e atuação das equipes profissionais existentes.

“Temos a integração de todas as áreas, desde o Núcleo Interno de Regulação, Núcleo de Atendimento ao Cliente, equipe médica, de enfermagem, entre os setores de salas de parto e enfermarias, e todos os serviços relacionados”, destaca Flávio Ibiapina.

Outro fator decisivo para o sucesso do projeto é que todos na unidade incorporaram a ideia do Lean. O comprometimento dos colaboradores, desde o apoio da Direção do Hospital, até os envolvidos diretamente com o processo, implica em resultados favoráveis.

"A primeira contribuição do projeto foi a reorganização. A partir daí, a própria comunidade hospitalar teve mais facilidade em absorver esse tipo de prática, onde a gente sistematiza esse tipo de atendimento, favorecendo as pacientes", explica o médico Antonio Elizer Arrais Mota filho, diretor-geral do HGCC.

Para o diretor, as visitas e acompanhamento direto das ações têm relevância e impactam nos resultados como um todo.
“Estas visitas são muito importantes. Todo ambiente fechado intra-hospitalar tem que ter um diarista que, junto aos plantonistas, discute condutas. É muito importante para os pacientes em termos de segurança e de resolutividade do problema com mais agilidade. É também uma oportunidade de aprendizado, a partir da troca de ideias e verificação de protocolos. As visitas diárias é essencial para que tenhamos um atendimento obstétrico cada vez mais de melhor qualidade. A paciente é beneficiada com condutas médicas mais seguras, apoiadas em conhecimento científico e mais conforto e qualidade", reforça Eliezer Arrais.

Impacto nos insumos

A principal mudança que ocorreu no Hospital Geral de Fortaleza (HGF),após ingressar no Lean em julho de 2019, foi a otimização no uso de insumos. Isso permitiu um aumento de 23% no número de atendimentos nas Emergências, indo de 1.353 para 1.497 em outubro. Houve redução em 63% na lotação da emergência, índice do NEDOCS, sigla em inglês pra “Escala de Superlotação do Departamento Nacional de Emergência”. Os custos com materiais permaneceu sem grandes variações, o que representa uma otimização no uso de insumos do hospital.

Tempo de internação do paciente

No Hospital Regional do Cariri (HRC), o programa Lean mudou a realidade nas Emergências. Desde a adesão ao projeto em julho, foi percebida uma redução de 70% na lotação da emergência do hospital. O tempo de internação do paciente foi reduzido em 28 horas e a alta hospitalar da própria emergência foi otimizada em 8 horas. Isso significa que a população está tendo um atendimento adequado no menor espaço de tempo.

Este mês, o HRC está implantando o Cartão de Alta, mais um serviço da unidade para melhorar o planejamento da alta hospitalar que prepara do paciente e familiar e também a Sala de Alta. O cartão visa efetivar a redução do tempo de permanência no leito e número de internações no hospital.

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