Governo deve ampliar tributação sobre renda e diminuir sobre consumo, diz secretário da Receita
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personBlog do Amaury Alencar
novembro 21, 2019
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O secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto,
defendeu nesta quarta-feira (20) que o governo deve ampliar o
recolhimento sobre a renda e reduzir a do consumo. Segundo ele, uma
primeira parte da reforma tributária do governo vai ser enviada ainda
neste ano ao Congresso.
“[Estou] Inteiramente de acordo com a sua percepção da necessidade de
obter um montante maior de arrecadação da base renda e uma redução da
arrecadação em relação à base consumo”, afirmou em audiência na Câmara
dos Deputados, em resposta a um parlamentar. Pedro França/Agência Senado
Ele afirmou ainda que a proposta do governo vai conter medidas no
Imposto de Renda para diminuir a regressividade (ou seja, o conjunto de
fatores no sistema tributário que faz mais ricos pagarem menos em termos
percentuais do que classes de renda mais baixas).
Estudos da Receita Federal indicam que o sistema tributário
privilegia os mais ricos, que hoje contam, por exemplo, com benefícios
como isenções para diferentes aplicações financeiras.
“Está sendo considerada nos nossos estudos e na formulação da
proposta que iremos encaminhar, a necessidade de revisar a tributação
sobre a renda. E existem medidas que diminuem a regressividade da
estrutura atual, tornando mais progressivo o tributo sobre a renda”,
afirmou.
Um dos instrumentos, disse, deve ser a tributação sobre a
distribuição de lucros (feita hoje por meio de dividendos e juros sobre
capital próprio).
Tostes Neto disse que o governo deve enviar uma primeira fase da
proposta da reforma tributária ainda neste ano. Há meses o governo já
planeja o envio das propostas de forma fatiada, começando apenas pela
unificação de PIS e Cofins.
Apenas nas fases seguintes, previstas para serem criadas a partir do
próximo ano, estão previstas as mudanças no Imposto de Renda e a
desoneração da folha de pagamento das empresas.
Segundo ele, o objetivo é não haver aumento da carga. “A diretriz
colocada pelo ministro [da Economia, Paulo Guedes] é que, de todos os
componentes, nenhum deverá proporcionar aumento da carga tributária”,
disse.
Tostes Neto defende manter o patamar atual da arrecadação para não
comprometer o objetivo do governo de buscar reequilíbrio fiscal. “É
muito importante para a diminuição desse desequilíbrio a manutenção da
arrecadação nesses níveis”, afirmou.
Por isso, disse, a mudança em direção a um sistema tributário mais
progressivo será vista a longo prazo. “No curto prazo, a carga
tributária precisa estar nos níveis atuais pela necessidade de
reequilíbrio fiscal, mas no longo prazo a proposta é reduzir a carga
tornando o sistema tributário mais progressivo. Isso está considerado e
será levado em conta na formulação da proposta”, disse.
O montante da arrecadação federal nos últimos anos tem sido um ponto
central de preocupação para o governo, já que o crescimento da economia
tem impactado a receita federal e contribuído para os sucessivos
déficits fiscais.
Neste ano, a Receita prevê terminar o ano com uma arrecadação federal
de R$ 1,4 trilhão, número que representa um avanço real de 2% em
relação a 2018 e é influenciado pelos ganhos não-recorrentes com leilões
de petróleo e com movimentações acionárias de empresas. “Consideramos
um resultado extraordinário”, afirmou. Em outubro, disse, a arrecadação
deve ficar em R$ 135 bilhões.
O número está acima do crescimento esperado para o PIB (Produto
Interno Bruto) de 2019, prevista em 0,92% pelo mercado (de acordo com o
mais recente boletim Focus, com expectativas compiladas pelo Banco
Central). Frequentemente usado pelos governos como justificativa para
se acelerar o recolhimento, os programas de refinanciamento de dívidas
(os chamados Refis) foram criticados por Tostes Neto. Segundo ele, as
avaliações da Receita demonstram que os sucessivos programas são danosos
para a arrecadação.
“Não se trata de ser contra ou a favor, mas de avaliar os inúmeros
Refis que vêm sendo aprovados ao longo dos últimos 15 ou 20 anos. A
avaliação demonstra que seguidas repetições do Refis, não obstante
propiciarem um aumento de arrecadação inicial, em poucos meses [geram]
uma crescente inadimplência por parte dos contribuintes que aderem a
esses programas”, disse.
“Há contribuintes que têm práticas reiteradas de aderir, pagar as
primeiras prestações e esperar os programas seguintes. É um
comportamento que está sendo cristalizado e que não consideramos
positivo”, afirmou. Fonte: Folhapress