Emissões de gases estufa ligadas ao desmatamento crescem 3,6% no Brasil
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personBlog do Amaury Alencar
novembro 06, 2019
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As emissões brasileiras de gases-estufa ligadas ao desmatamento
cresceram 3,6% em 2018. Entre 2017 e 2018, o desmatamento da Amazônia
cresceu cerca de 14% e alcançou o maior valor desde 2008, o que fez o
país patinar no objetivo de reduzir as emissões de gases do efeito
estufaOs dados do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de
Efeito Estufa), projeto do Observatório do Clima, que reúne 47
organizações da sociedade civil, foram divulgados na manhã desta terça
(5), em São Paulo.
Reprodução
No total, puxadas pelo desmatamento relacionado ao agronegócio,
as emissões brasileiras entre 2017 e 2018 tiveram um leve aumento de
0,3%.
Sozinho, o setor do agronegócio respondeu por 69% das emissões
do país em 2018. Levando-se em conta o período de 1990 até 2017, o
agronegócio responde por cerca de 80% das emissões brasileiras.
Considerando somente a atividade agropecuária -que responde por
emissões relacionadas a gases relativos à fermentação entérica (com a
produção de metano na digestão de animais ruminantes), o manejo dos
dejetos animais (que também produzem metano) e até mesmo o cultivo de
arroz em áreas inundadas-, houve diminuição de 0,8% nas emissões.
O
problema é que no Brasil a agropecuária ainda encontra-se associada ao
desmatamento (o que no inventário de emissões aparece como mudança de
uso da terra). E, nessa área, as emissões subiram pouco mais de 3%.
Tal aumento, de cerca de 6 milhões de toneladas de carbono
equivalente, já era esperado, considerando os dados mais recentes de
desmatamento, que mostram aumento em cerca de 14% e o maior valor desde
2008, com a derrubada de 7.900 km² de floresta, segundo o Prodes, do
Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Em 2018, o Ministério do Meio Ambiente associou o aumento da
destruição a mudanças políticas, câmbio favorável ao agronegócio (o que
estimula derrubada de mata para abertura de novas áreas para produção) e
seca, o que leva ao aumento das queimadas.
O inventário de emissões anterior do Seeg (relativo ao ano de
2017) mostrava redução das emissões puxada pela diminuição no desmate. Com
o aumento do desmatamento em 2019, é possível esperar um cenário mais
pessimista para as emissões que serão anunciadas no ano que vem.
As taxas de desmatamento cresceram acentuadamente em diversos meses
deste ano. Em junho, o desmate cresceu 90% em relação ao mesmo mês do
ano anterior. Em julho, o aumento foi de 278%. Agosto teve crescimento
de 222%, e setembro de 96%.
A situação das queimadas no país -que, segundo estudo do Ipam
(Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), se concentram em
propriedades privadas e em florestas públicas não destinadas, onde onde
tanto desmate quanto uso de fogo é ilegal- também chamou a atenção nos
últimos meses. Até 1º de setembro, o número de queimadas no Brasil bateu
o recorde dos últimos nove anos, com concentração na Amazônia.
As queimadas ganharam destaque internacional e o governo Jair
Bolsonaro (PSL) enfrentou críticas pelo modo como lida com a questão
ambiental. Para controlar a situação, o presidente assinou um decreto
de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) que autorizava uso das Forças
Armadas para combater os incêndios e outro que criava uma moratório de
queimadas na Amazônia por dois meses.
A atitude parece ter surtido efeito. O número de queimadas em outubro foi o menor para o mês desde 1998.
As informações do Seeg mostram também crescimento de emissões
associadas aos setores de processos industriais (como indústria química,
produção de metais, e emissão de hidrofluorcarbonos, os HFCs) e
resíduos, com aumento de 1,3% e 1,5% respectivamente.
Enquanto isso, o setor de energia teve diminuição de 5% nas emissões. O peso do desmate nas emissões brasileiras fica mais claro ao se observar os estados líderes em gases-estufa. Em
2018, o Pará, que lidera a lista, emitiu 237.781.584 milhões de
toneladas de carbono equivalente (CO2e, unidade que agrupa e soma todos
os gases que podem provocar a intensificação do aquecimento global), o
que representa 12% do total de gases brasileiros. A segunda colocação é
de Mato Grosso, com 231 milhões de toneladas de CO2e.
Caso a mudança no uso de terra (em linhas gerais, desmatamento), não
seja levada em conta, o Pará pula para a 8ª posição no ranking e o Mato
Grosso para a 4ª. No primeiro, sem levar em conta o uso da terra, as
emissões diminuem 78%. No segundo, 68%.
Nos dois estados, a atividade agropecuária em si é a segunda maior fonte de emissões.
A diminuição das emissões de gases de efeito estufa faz parte dos
compromissos assumidos pelos países no Acordo de Paris. Bolsonaro chegou
a ameaçar sair do acordo, da mesma forma que o presidente americano
Donald Trump. Depois, o mandatário brasileiro recuou.
Trump, por outro lado, deu início, na segunda (4), à formalização da
saída americano do acordo, que é a iniciativa global central na
tentativa de frear as mudanças climáticas. Para isso, criou-se o
compromisso de manter o aquecimento da Terra abaixo de 2°C (em relação à
era pré-industrial) até o fim do século, tentando limitá-lo a 1,5°C.
Os dados do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de
Efeito Estufa), projeto do Observatório do Clima, que reúne 47
organizações da sociedade civil, foram divulgados na manhã desta terça
(5), em São Paulo.
No total, puxadas pelo desmatamento relacionado ao agronegócio,
as emissões brasileiras entre 2017 e 2018 tiveram um leve aumento de
0,3%. Sozinho, o setor do agronegócio respondeu por 69% das emissões
do país em 2018. Levando-se em conta o período de 1990 até 2017, o
agronegócio responde por cerca de 80% das emissões brasileiras.
Considerando somente a atividade agropecuária -que responde por
emissões relacionadas a gases relativos à fermentação entérica (com a
produção de metano na digestão de animais ruminantes), o manejo dos
dejetos animais (que também produzem metano) e até mesmo o cultivo de
arroz em áreas inundadas-, houve diminuição de 0,8% nas emissões.
O problema é que no Brasil a agropecuária ainda encontra-se associada
ao desmatamento (o que no inventário de emissões aparece como mudança
de uso da terra). E, nessa área, as emissões subiram pouco mais de 3%. Tal
aumento, de cerca de 6 milhões de toneladas de carbono equivalente, já
era esperado, considerando os dados mais recentes de desmatamento, que
mostram aumento em cerca de 14% e o maior valor desde 2008, com a
derrubada de 7.900 km² de floresta, segundo o Prodes, do Inpe (Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais).
Em 2018, o Ministério do Meio Ambiente associou o aumento da
destruição a mudanças políticas, câmbio favorável ao agronegócio (o que
estimula derrubada de mata para abertura de novas áreas para produção) e
seca, o que leva ao aumento das queimadas.
O inventário de emissões anterior do Seeg (relativo ao ano de
2017) mostrava redução das emissões puxada pela diminuição no desmate. Com
o aumento do desmatamento em 2019, é possível esperar um cenário mais
pessimista para as emissões que serão anunciadas no ano que vem.
As taxas de desmatamento cresceram acentuadamente em diversos meses
deste ano. Em junho, o desmate cresceu 90% em relação ao mesmo mês do
ano anterior. Em julho, o aumento foi de 278%. Agosto teve crescimento
de 222%, e setembro de 96%.
A situação das queimadas no país -que, segundo estudo do Ipam
(Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), se concentram em
propriedades privadas e em florestas públicas não destinadas, onde onde
tanto desmate quanto uso de fogo é ilegal- também chamou a atenção nos
últimos meses. Até 1º de setembro, o número de queimadas no Brasil bateu
o recorde dos últimos nove anos, com concentração na Amazônia.
As queimadas ganharam destaque internacional e o governo Jair
Bolsonaro (PSL) enfrentou críticas pelo modo como lida com a questão
ambiental. Para controlar a situação, o presidente assinou um decreto
de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) que autorizava uso das Forças
Armadas para combater os incêndios e outro que criava uma moratório de
queimadas na Amazônia por dois meses.
A atitude parece ter surtido efeito. O número de queimadas em outubro foi o menor para o mês desde 1998.
As informações do Seeg mostram também crescimento de emissões
associadas aos setores de processos industriais (como indústria química,
produção de metais, e emissão de hidrofluorcarbonos, os HFCs) e
resíduos, com aumento de 1,3% e 1,5% respectivamente.
Enquanto isso, o setor de energia teve diminuição de 5% nas emissões. O peso do desmate nas emissões brasileiras fica mais claro ao se observar os estados líderes em gases-estufa.
Em 2018, o Pará, que lidera a lista, emitiu 237.781.584 milhões de
toneladas de carbono equivalente (CO2e, unidade que agrupa e soma todos
os gases que podem provocar a intensificação do aquecimento global), o
que representa 12% do total de gases brasileiros. A segunda colocação é
de Mato Grosso, com 231 milhões de toneladas de CO2e.
Caso a mudança no uso de terra (em linhas gerais, desmatamento), não
seja levada em conta, o Pará pula para a 8ª posição no ranking e o Mato
Grosso para a 4ª. No primeiro, sem levar em conta o uso da terra, as
emissões diminuem 78%. No segundo, 68%.
Nos dois estados, a atividade agropecuária em si é a segunda maior fonte de emissões.
A diminuição das emissões de gases de efeito estufa faz parte dos
compromissos assumidos pelos países no Acordo de Paris. Bolsonaro chegou
a ameaçar sair do acordo, da mesma forma que o presidente americano
Donald Trump. Depois, o mandatário brasileiro recuou.
Trump, por outro lado, deu início, na segunda (4), à formalização da
saída americano do acordo, que é a iniciativa global central na
tentativa de frear as mudanças climáticas. Para isso, criou-se o
compromisso de manter o aquecimento da Terra abaixo de 2°C (em relação à
era pré-industrial) até o fim do século, tentando limitá-lo a 1,5°C. Fonte: Agência Brasil