Descoberto no Cariri há mais de três anos, a espécie inédita de caranguejo vem sendo estudada por pesquisadores da URCA
Há mais de três anos descoberto no Cariri, o caranguejo guajá do araripe vem
sendo estudado e reintroduzido ao seu habitat natural pelos
pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA). Depois de uma
ação de preservação da espécie realizada no ano passado, no sopé da
Chapada do Araripe, no sítio Guaribas, dessa vez a soltura de mais
espécimes do ‘Kingsleya attenboroughi’, nome científico do caranguejo, acontece no Arajara Parque, em Barbalha. A ação será nesta quarta-feira a partir das 9 horas.
O caranguejo guajá
do araripe, descoberto por pesquisadores da URCA, tem novo capítulo
registrado na trajetória de sobrevivência da espécie. Em nível crítico
de extinção, a primeira ação de reintrodução da espécie em Reserva
Particular de Patrimônio Natural (RPPN), no sítio Guaribas, foi
realizada em área restrita para pesquisadores.
O
objetivo é ampliar os locais de ocorrência da espécie, em lugares
distintos na região. Os primeiros exemplares foram achados na área do
distrito de Arajara, em Barbalha. O acompanhamento da evolução dos
crustáceos é realizado com a parceria dos docentes da URCA, através de
pesquisadores e alunos do curso de Biologia, do Mestrado da
Bioprospecção Molecular e Geopark Araripe. A soltura dos caranguejos,
ocorre com o acompanhamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade - ICMBIO, da organização não governamental Aquasis, que
atua com trabalho voltado para preservação do Soldadinho-do-araripe.
O
trabalho conta com a orientação do Professor da URCA, Allysson
Pinheiro, responsável pela descoberta da nova espécie, descrita por ele e
pelo pesquisador William Santana, da Universidade do Sagrado Coração
(USC). O trabalho vem sendo realizado de forma cuidadosa, no intuito de
reinserir os crustáceos, observando até mesmo o processo de adaptação
dos caranguejos à temperatura da água.
Saiba mais
A espécie de caranguejo (guaja-do- araripe)
descoberta recentemente é endêmica da Chapada do Araripe e ameaçada em
um nível crítico de extinção.
Há poucos espécimes restritos a um local
específico de Arajara, distrito de Barbalha - CE.
A
espécie ocorre em três riachos na região, que são muito próximos da
comunidade, e é muito impactado com lixo, desmatamento e pouca água.
O caranguejo está
sendo alvo de diversos estudos com objetivo de ampliar o que se sabe
sobre seus comportamentos e reprodução em cativeiro, enquanto será
realizada a reintrodução, com o apoio do ICMBIO. É a primeira já
descrita tipicamente no semiarido, que pode ser importante na descrição
da paisagem na América do Sul.