Com as recentes investidas do Governo Bolsonaro para retomar o processo de exploração da usina de Itataia em Santa Quitéria,
também voltaram os debates daqueles que se posicionam contra a
mineração de urânio e fosfato naquela região. Pelo menos, dois eventos
foram realizados nesta semana na sede e no distrito de Riacho das
Pedras, tratando sobre as movimentações, a postura adotada pelo Ibama em
barrar o licenciamento ambiental e as mobilizações a partir de agora.
A primeira frente ocorreu na sexta-feira (25), no referido distrito, por
ocasião da visita pastoral do bispo da Diocese de Sobral, Dom
Vasconcelos, que reservou um espaço na sua agenda para conhecer a
realidade da região - que fica próxima a jazida - , ouvir opiniões e
manifestar a da Igreja sobre o assunto. A Cáritas Diocesana, inclusive, é
uma das árduas questionadoras do projeto. Ao A Voz de Santa Quitéria, o bispo declarou não ser contra o progresso, porém tem constatado os perigos que a usina traz para população.
Sempre se vê com muita propaganda, que vai trazer muitas riquezas, empregos para todo mundo e depois, com o passar do tempo, vem algo mais indesejado. O ser humano deve pensar sobre o seu futuro, desenvolvimento, mas é necessário pensar o que significa, de fato, desenvolvimento, quando falta, muitas vezes, o discernimento e as vezes, a gente causa um mal devido a nossa ganância e destrói a vida de gerações. É uma preocupação nossa", afirmou.
No dia seguinte, o Colégio Paulo Freire sediou o debate "Deixa o Dragão
dormir", puxado pelo Movimento pela Soberania Popular na Mineração e
Núcleo Tramas (UFC), fazendo alusão ao período em que se arrasta para
entrar em operação.
Durante o evento, pesquisadores e moradores da região manifestaram a sua
preocupação, com os esforços que estão sendo centrados para isso e os
riscos que devem acometer, ao citar exemplos como Caetité (BA), Mariana e
Brumadinho (MG). Sobre a decisão do Ibama em barrar o licenciamento ambiental,
vários pontos foram apresentados como cruciais, como a questão dos
resíduos, o número de localidades atingidas e a segurança hídrica, com o
uso intenso das águas do açude Edson Queiroz.
A voz de Santa Quitéria

