Justiça Federal rejeita arquivamento de inquérito do caso dos "Dólares na Cueca

Blog do  Amaury Alencar


José Adalberto Vieira da Silva 

José Adalberto Vieira da Silva
   
O inquérito do caso que ficou conhecido por “Dólares na cueca”, que há oito anos se arrasta entre a Justiça e o Ministério Público federais, ganhou um novo capítulo.

 O juiz Danilo Fontenele, da 11ª Vara Federal de Fortaleza, rejeitou o pedido de arquivamento feito pela Procuradoria da República no Ceará (PRCE). O magistrado não concordou com o parecer do procurador Régis Richael da Silva e enviou as peças à Procuradoria Geral da República, em Brasília, que poderá oferecer denúncia ou referendar o pedido de arquivamento. De acordo com o Art. 28 do Código de Processo Penal, caso mantenha o pedido, o juiz estará obrigado a atender.


Para quem não lembra, em 8 de julho de 2005, José Adalberto Vieira da Silva, na época assessor do então deputado estadual José Guimarães (PT), foi preso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com US$ 100 mil na cueca e mais R$ 209 mil em uma maleta.

 

O procurador Régis Richael pediu o arquivamento do inquérito, também, com base em um processo relacionado ao caso, que tramitava no Tribunal Federal da 5ª Região (TRF-5), em Recife. A ação, que discutia a ocorrência dos crimes de improbidade administrativa contra executivos do Banco do Nordeste (BNB), tráfico de influência contra José Guimarães e corrupção praticada por empresários, foi encerrada.

O flagrante dos “Dólares na cueca” se deu em meio a desdobramentos do caso do Mensalão. José Guimarães, hoje deputado federal, não chegou a ser julgado, já que, em 2012, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu isentar o parlamentar de acusação de envolvimento no episódio.
Segundo o juiz Danilo Fontenele “verifica-se que a investigação (que foi para o TRF-5) centrou-se, apenas, na hipótese adotada pela autoridade policial no sentido de que o dinheiro transportado por Adalberto era parte da propina paga pelo consórcio Sistema de Transmissão do Nordeste a Kennedy (Moura Ramos, executivo do Banco do Nordeste), em virtude da aprovação ilícita, pelo BNB, do financiamento pretendido para custear a construção da linha de transmissão de energia elétrica do Piauí ao Ceará”.

De acordo com a decisão do magistrado, publicada ontem no site da Justiça Federal, “o fato de um assessor parlamentar ter sido preso com cerca de atuais R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) sem origem ou destino conhecidos nem explicação plausível ou verossímil, indica indícios suficientes da ocorrência de modalidade até então não conhecida de corrupção sistêmica estrutural”, escreve.
O juiz, titular da Vara de Combate à Lavagem de Dinheiro e Crime Organizado, explica no documento que a “criação, manutenção e preservação de uma rede de apoio político/administrativo com o fito de favorecimento de grupos mediante atos indefinidos e atemporais, muito característico das organizações criminosas de matiz mafioso, onde o silêncio, o segredo, as aparências e os disfarces são elementos primordiais à sua própria criação, manutenção, desenvolvimento e reprodução”.
O POVO Online entrou em contato com a assessoria de imprensa do deputado José Guimarães (PT), que informou que o parlamentar está se inteirando da decisão e preparando uma resposta. O POVO Online também está em busca de José Adalberto Vieira da Silva e Kennedy Moura Ramos
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 Mais informações em instantes.  

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