Pressão de parlamentares por emendas adia votação da reforma da Previdência

Blog do  Amaury Alencar

Por causa da pressão para liberação de emendas parlamentares, a votação da proposta de reforma da Previdência no plenário do Senado foi adiada de hoje para amanhã (25). Deputados e senadores usam essas emendas para destinar recursos a suas bases eleitorais e o governo vem negociando a liberação desse dinheiro para reduzir as resistências no Congresso em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

 

Para atender a deputados, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) enviou um projeto de lei, em agosto, abrindo um crédito de quase R$ 3 bilhões no Orçamento. Interlocutores do Planalto reconhecem que cerca de R$ 2 bilhões são para emendas parlamentares. Esse projeto, porém, ainda não foi aprovado e está na fila de votações do plenário do Congresso.

Diante da pressão, o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (DEM-AP), marcou para hoje mais uma sessão que reúne deputados e senadores, bem no horário em que estava prevista o início da votação da reforma da Previdência no Senado. O objetivo de Alcolumbre é votar vetos presidenciais e aprovar a abertura de crédito.
O início da análise da reforma no plenário do Senado havia sido acordado com líderes partidários da Casa em agosto. A data, portanto, teve que ser alterada. Inicialmente, a sessão do Congresso seria apenas na próxima semana, pois Alcolumbre não queria relacionar a votação do crédito para emendas com a PEC.
Uma ala do Senado também quer ser beneficiada pela liberação de emendas. Articuladores de Bolsonaro no Congresso não sabem, no entanto, quando deve ser enviado um projeto que visa atender às demandas dos senadores.
Maior bancada da Casa, o MDB quer apresentar dois destaques ao texto principal. Destaques são instrumentos para que trechos da proposta sejam analisados separadamente. As sugestões do partido ainda serão discutidas nesta terça. Parte dos senadores defende regras mais suaves para que o trabalhador possa receber o abono salarial, espécie de 14º salário pago pelo governo a trabalhadores com carteira assinada e baixa renda.