Pai caminha 118 Km de Fortaleza a Canindé para agradecer em santuário pela cura de doença rara da filha
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personBlog do Amaury Alencar
setembro 29, 2019
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Amor, fé e devoção. Os três
sentimentos que se misturam com os passos de fiéis que caminham 118 km
em direção ao Santuário de Canindé para a Festa de São Francisco das
Chagas, padroeiro do município do Sertão Central cearense. Wendell
Cabral, 38, participa de sua primeira romaria e tem motivos de sobra
para agradecer. Ele conta que a filha, Maria Cecília, apresentou
complicações durante a gestação. Diante da situação, o assistente
operacional se apegou a São Francisco.
foto Arquivo Pessoal
“No período da gestação, foi identificado que minha filha tinha uma
diferença muito grande no tamanho da nuca, o que é um parâmetro para
outras anomalias. O médico disse que já viu gente não sobreviver. De
férias, fui para Reriutaba (na Região da Ibiapaba) e na volta passei no
Santuário (em Canindé) e fiz uma promessa de que, se ela nascesse bem,
eu iria a pé para Canindé. Graças a Deus, deu tudo certo”, conta o
devoto. Maria Cecília nasceu em 15 de junho de 2015, sem nenhuma
complicação.
A romaria Dom Joaquim, com a qual o devoto segue, vai para sua 62ª
edição e é uma das mais tradicionais do Estado. Na última quarta-feira
(25), um grupo formado por cerca de 160 pessoas saiu do Centro de
Fortaleza em direção a Canindé.
Durante os Festejos deste ano, a expectativa é que o Município receba
de 700 mil a 1 milhão de visitantes. No período, romarias saídas de
várias partes do Ceará reúnem na estrada desde crianças a idosos para
celebrar, orar e agradecer. Em meio aos dias de festa, o trajeto
vivenciado pelos fiéis ganha protagonismo.
Devoção e sacrifício
Os sentimentos de gratidão também são vivenciados por Ubiratan
Martins, 46, que trabalha na organização da 10ª Caminhada com Amor e Fé,
que este ano completa dez anos de evangelização na estrada. O grupo
saiu na quinta-feira (26) do Bairro Canindezinho, em Fortaleza, em
direção ao Município do Interior. O fiel explica que “são três noites de
caminhada agradecendo a São Francisco de Canindé pelas graças
alcançadas”.
Durante o período na estrada, equipes de apoio acompanham os fiéis
fazendo a segurança e prestando atendimentos médicos. Além disso, um
caminhão abastecido com água e alimentos dão suporte ao grupo. Para
conseguir superar o cansaço e chegar ao destino, equipes de
evangelização realizam momentos litúrgicos, unindo os caminhantes em
adoração. Durante
a romaria a pé de Fortaleza a Canindé, equipes de apoio acompanham os
fiéis fazendo a segurança e prestando atendimentos médicos — Foto:
Divulgação
Para o fiel, os momentos servem para “agradecer pelas graças
recebidas”. Com quase cinco décadas de vida, o devoto enxerga hoje
muitos motivos para celebrar. “Com 14 anos de idade eu abandonei meu pai
e minha mãe no interior e vim pra Capital em busca de melhorias. Como
eu não tinha onde ficar e não conhecia ninguém, resolvi ficar nas ruas.
Foram seis anos assim”, conta o fiel.
Apesar dos sofrimentos que a vida trouxe, Ubiratan diz que o período
em que esteve morando nas ruas foi um caminho de conquistas e superação:
“Foi a maior experiência da minha vida. Hoje, tudo que tenho devo a
este momento porque foi um grande aprendizado”. O devoto fala com fervor
sobre as graças recebidas, “de sobreviver sem teto, sem pai e sem mãe,
vivendo nas ruas” e, agora, é uma das lideranças do Terço do Homens de
sua paróquia.
O prazer de ir caminhando
Indo para sua sexta romaria, Carla Roberta, 34, que mora em Caucaia,
Região Metropolitana de Fortaleza, diz que o principal motivo para
continuar participando da via é a fé. “Meus agradecimentos a Deus e pela
intercessão de São Francisco das Chagas pela família que tenho. Por
todas as graças que Deus me deu até hoje”, pontua a devota. Carla partiu
com cerca de 100 fiéis em direção ao Santuário de Canindé. Ela fala da
alegria de vivenciar mais uma romaria.
“A alegria está à flor da pele em poder participar mais um ano. Já
fui a Canindé de carro, de ônibus, de bicicleta e nas motoromarias, mas,
o prazer de ir caminhando, é contagiante”, declara.
Festa de São Francisco
Segundo Jander Silva, que trabalha na assessoria do Santuário de
Canindé, romarias vindas de toda parte do Brasil são esperadas este ano.
“Maranhão e Piauí são os estados que mais mandam peregrinos. Vem gente
de todo o canto”, diz. A organização da Festa pede que as romarias sejam
cadastradas no “Porta Aberta”, um espaço que está sendo inaugurado este
ano para o acolhimento dos fiéis.
O Santuário e Paróquia de São Francisco das Chagas disponibiliza,
também, dois abrigos de hospedagem – São Francisco, localizado na rua
Euclides Barroso, e Centro Franciscano de Apoio ao Romeiro. A
organização recomenda que os coordenadores de romarias se informem junto
à equipe do local sobre a disponibilidade de vagas.