A Polícia Federal instaurou no final de julho dois inquéritos criminais para apurar supostas candidaturas “laranja”
durante as eleições de 2018. A diligência ocorre a pedido do Ministério
Público do Estado do Ceará (MP-CE), que investiga possíveis
irregularidades nos casos.
Um dos inquéritos foi aberto com base em reportagem do O POVO
de fevereiro deste ano, que apontou sinais de simulação na candidatura
de Débora Ribeiro (Pros) a deputada estadual. Mesmo sem qualquer
experiência nas urnas, a candidata – que é cunhada do deputado Vaidon
Oliveira (Pros) – recebeu R$ 274 mil em verbas públicas pelo partido e
teve apenas 47 votos.
O outro caso trata da candidatura de Gislani Maia (PSL)
a deputada estadual, que teve 3,5 mil votos e recebeu R$ 150 mil do PSL
a dois dias da eleição. No mesmo dia em que recebeu o repasse, todo
bancado por recursos do Fundo Eleitoral, a candidata pagou quase todo o
dinheiro – R$ 143 mil – a três gráficas de Fortaleza em troca de
material de campanha.
Andamento das investigações
Os procedimentos que apuram irregularidades nas duas
campanhas foram pedidos pelo Ministério Público Federal (MPF-CE) ainda
em fevereiro, mas não avançaram por conta de divergências quanto ao foro
ideal para tramitação das ações. Mesmo tendo sido abertas pelo MP
federal, as ações acabaram “migrando” para o MP estadual em 26 de abril.
Ambos os casos foram remetidos para a Polícia Federal
em maio, para que fossem instaurados inquéritos criminais para cada
candidatura. Com a abertura das investigações no final de julho, os
agentes da PF já podem ouvir testemunhas e apurar as suspeitas.
Tanto no caso de Débora Ribeiro quanto no de Gislani
Maia, há indícios de que as candidaturas teriam ocorrido apenas “de
fachada”, sem real intenção de disputa. Com isso, elas teriam servido
para burlar a legislação eleitoral, que exige uma cota mínima de
participação feminina tanto entre as candidaturas dos partidos quanto no
uso do Fundo Eleitoral.
o Povo