Vereadores de Uruburetama votam afastamento de prefeito por 90 dias após denúncias de abuso sexual

Blog do  Amaury Alencar


Vereadores no Plenário da Câmara de Uruburetama
Vereadores no Plenário da Câmara de Uruburetama(Foto: Nut Pereira/ O POVO)
Nove dos 11 vereadores de Uruburetama votam ainda nesta segunda-feira, 15, o afastamento provisório do prefeito José Hilson de Paiva, 70. A sessão é extraordinária, uma vez a Câmara estava em recesso. Ele é acusado de estuprar pacientes em consultórios ginecológicos em clínica particular e em hospitais públicos. Investigações já são conduzidas pela Promotoria de Justiça de Uruburetama com apoio do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), do Ministério Público do Estado. 

Na Câmara Municipal, até as 19 horas ocorre a votação que pode afastar Hilson por 90 dias. Dois vereadores são impedidos e não compareceram à sessão extraordinária: Cristiane Cordeiro (filha do prefeito) e Alexandre Wagner Albuquerque Nery (filho do vice-prefeito, também acusado em esquema criminoso de extorsão).

Há cordão de isolamento nas proximidades da Câmara, com policiamento reforçado, enquanto dezenas de pessoas acompanham as movimentações políticas do lado de fora.
"A gente vai ter de convocar suplentes dos vereadores impedidos e vamos fazer tudo dentro da legalidade. Os motivos são justos, há comoção do povo", declarou a presidente da Câmara, Maria Stela Gomes Rocha.


O caso
Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec), Helvécio Neves Feitosa, as denúncias contra o médico José Hilson são de "extrema gravidade", mas ele destaca que o médico tem direito à defesa e que pode-se levar até dois anos para chegar a uma decisão.

As denúncias contra o prefeito vêm desde a década de 1980. O caso foi mostrado no programa Fantástico neste domingo, 14. O POVO publicou o caso em março de 2018, quando um vídeo do ginecologista fazendo sexo com uma paciente viralizou na internet. As vítimas afirmaram que só tiveram coragem de denunciar após a repercussão do material.

Ainda em março do ano passado, o médico chegou a registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) na Delegacia do 13º Distrito Policial (DP), em Fortaleza. Ele denunciava crime de extorsão cometido por um empresário, alegando que estava sendo alvo de chantagens envolvendo conteúdos 
 pornográficos. 
Com informações do repórter Nut Pereira, enviado a Uruburetama 

o POVO