Eunício Oliveira comandou o evento emedebista de ontem, em Fortaleza
 Eunício Oliveira comandou o evento emedebista de ontem, em Fortaleza
Ex-presidente do Senado e líder maior do MDB no Ceará, o empresário Eunício Oliveira sinalizou ontem que o partido terá "dificuldades" em se aliar com o PDT em Fortaleza. Afirmando que a sigla está "totalmente livre e independente" no Estado, o ex-senador destacou que emedebistas podem ter até candidatura própria na Capital.

"O MDB, nesse momento, é um partido livre e independente para fazer composição com quem sua base achar que deve, ou até para ter candidatura própria, quem sabe?", disse Eunício neste domingo, após convenção municipal do MDB em Fortaleza. No evento, enquete entre filiados terminou com mais de 95% dos participantes defendendo que a sigla tenha candidato.

 O ex-senador, no entanto, destaca: "Mas o MDB terá dificuldade com composição com algumas pessoas e candidatos de alguns partidos que fizeram parte do que aconteceu nas eleições de 2018", disse, se recusando a citar nomes. Naquele ano, Eunício perdeu reeleição mesmo após "aliança informal" com Camilo Santana (PT) e o PDT dos irmãos Cid e Ciro Gomes.

Na época, aliados de Eunício acusaram pedetistas de traírem o combinado e "boicotarem" candidatura do emedebista. "Foi uma campanha de aliados que, na verdade adversários, que sequer tiveram o cuidado de fazer a normalidade. Não, fizeram ação mesmo para que o MDB não saísse vitorioso, e estamos muito atentos a isso", disse ontem o ex-senador.

Apesar de não terem oficializado a aliança em uma coligação, Eunício e os Ferreira Gomes mantiveram um apoio informal na disputa. Na época, o emedebista participou de atos de campanha junto com pedetistas e chegou até a usar o nome do ex-governador Cid Gomes em seu programa de televisão - o que depois foi proibido pela Justiça.

Em contrapartida, o PDT teve participação tímida na campanha emedebista. Apesar de Cid e Ivo Gomes terem "recomendado" a Eunício e até participado de atos com o ex-senador, a aliança informal era rejeitada - e até duramente criticada em falas públicas - pelo líder maior do grupo, o então candidato a presidente Ciro Gomes.

"Não queremos fazer aliança que não seja verdadeira, para trair. Mesmo diante de toda circunstância, eu desafio que alguém encontre um santinho do Eunício que não fosse com a chapa inteira que foi combinada", destaca. Eunício, no entanto, nega que o desconforto se estenda ao governador Camilo Santana: "Foi o único que honrou o compromisso".

Hoje sem nomes mais conhecidos para a disputa na Capital, o MDB pode ser aliado valioso para pré-candidatos como Luizianne Lins (PT), Capitão Wagner (Pros) ou Carlos Matos (PSDB). Hoje com um vereador na Câmara Municipal, o partido é ainda um dos maiores do País, tendo grandes fatias do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda em rádio e TV.



o Povo 
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