Primeira denúncia contra prefeito afastado de Uruburetama é oferecida à Justiça



O advogado do prefeito, Leandro Vasques, explicou que no pedido de habeas corpus já há uma menção ao aspecto da decadência que teria sido verificado nos crimes.
O advogado do prefeito, Leandro Vasques, explicou que no pedido de habeas corpus já há uma menção ao aspecto da decadência que teria sido verificado nos crimes.(Foto: FABIO LIMA/O POVO)
A primeira denúncia contra o médico e prefeito afastado de Uruburetama, José Hilson de Paiva, foi oferecida à Justiça. Ele ficou conhecido nacionalmente após mulheres tornarem públicas condutas criminosas que feriram a dignidade sexual delas. São, pelo menos, duas vítimas no município de Cruz. O conteúdo da denúncia não pode ser divulgado por estar em segredo de justiça.
A Promotoria de Justiça de Cruz recebeu, durante o mês de julho, os depoimentos das primeiras quatro vítimas que se apresentaram à delegacia após a divulgação dos vídeos na imprensa. José Hilson trabalhou como médico da Prefeitura de Cruz de 1992 a 2012, e manteve um consultório particular na cidade até 2018.
A partir de reportagens que repercutiram o caso em rede nacional, outras vítimas compareceram às Promotorias de Justiça das Comarcas de Uruburetama e de Cruz. Elas estão passando por atendimento multidisciplinar com o apoio de profissionais do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NUAVV) do Ministério Público do Ceará (MPCE).  

O processo, por conter crimes contra a dignidade sexual, tramita em segredo de Justiça. "Tal previsão legal é fundamental para que as vítimas se sintam seguras e motivadas a delatar crimes sexuais sem receios quanto à exposição de sua identidade por conta do processo", informou o MPCE.

Entenda o caso

O MPCE, por meio da Promotoria de Justiça de Uruburetama, requereu à Justiça, no dia 17 de julho deste ano, a prisão preventiva do médico José Hilson de Paiva. O pedido se fundamenta no fato de que, mesmo afastado das funções de prefeito e médico, José Hilson é considerado influente no município e no meio político estadual, sendo capaz de, diretamente ou por interpostas pessoas, coagir, constranger, ameaçar, corromper ou praticar atos tendentes a comprometer a investigação do Ministério Público e da Polícia Civil. 

Um procedimento foi instaurado em junho de 2019, antes da divulgação dos novos vídeos na imprensa. O órgão responsável é o Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) e, até o momento, seis vítimas e uma testemunha já foram ouvidas. Em 15 de julho deste ano, foi instaurado outro inquérito policial em Uruburetama, quando novas vítimas começaram a ser ouvidas. Pelo menos 18 vítimas já identificadas nas imagens exibidas pela imprensa serão convidadas para prestarem suas declarações o mais rapidamente possível.


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