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Ceará inicia retomada de atividades a partir de hoje



Depois de mais de dois meses cumprindo regras de isolamento social, o Ceará começa hoje a se preparar para a retomada gradual das atividades econômicas. A volta de mais de 66,9 mil pessoas aos seus postos de trabalho marca também o fim do isolamento social rígido (lockdown) pelo qual a Capital viveu nos últimos 23 dias. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, Fortaleza é o epicentro da doença.

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 foto : internet

A volta, no entanto, é marcada por incertezas e ainda insegurança por parte da população. A partir desta segunda-feira, 17 setores da cadeia produtiva retomam suas atividades, seguindo os protocolos sanitários estabelecidos pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), com esperança de estabilidade.

A fase de transição, que inicia hoje e vai até o próximo dia 7, servirá como um teste, onde os setores liberados a funcionar terão que se adequar aos protocolos sanitários e respeitar o percentual mínimo do número de trabalhadores. Para avançar à próxima fase (1), prevista para o dia 8 de junho, com a inclusão de novos setores, o Estado, sobretudo Fortaleza, precisa continuar com a estabilização dos casos de Covid-19 no sistema de saúde.

Conforme anunciado pelo governador Camilo Santana, a iniciação do plano de retomada da economia só está sendo possível graças à redução da curva de contaminação e de óbitos relacionados à doença. O gestor definiu o plano de retomada como gradual e responsável. “Os próximos sete dias desta semana serão avaliados. Portanto, para iniciar qualquer uma dessas fases serão avaliados os critérios de saúde. Será fundamental respeitar o protocolo de funcionamento e o monitoramento. Para esse plano funcionar, é fundamental respeitar os decretos”, reiterou.

Se a curva de achatamento de contaminação do coronavírus no Estado continuar diminuindo, o plano avança para as próximas quatro fases. Cada fase terá um intervalo de 14 dias para avaliação do sistema de saúde e, assim, novos setores serão autorizados a reabrirem por meio de decreto. Portanto, o avanço para liberação 100% de todos os setores e seus quadros de funcionários completos está condicionado aos bons resultados de diminuição dos casos. Segundo expectativa do governo, na primeira fase haverá retorno de mais 85,6 mil postos de trabalho, seguida de 131,3 mil na segunda; 175,155 mil na terceira; e 123,1 mil na última.

O presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, ressalta que a estratégia de retomada foi planejada em conjunto com os setores da saúde e da economia, o que garante uma maior segurança e responsabilidade. “É interessante a forma como está sendo proposta, porque temos dois recursos: as informações da queda no número de casos e a fase de transição, passando de etapa em etapa. À medida que forem cumpridas a determinação de prevenção e cuidado, perceberemos que estamos indo para o caminho certo”, comenta.

Ricardo Coimbra avalia ainda que as expectativas para uma retomada total, como antes da pandemia, o processo será lento, podendo ocorrer somente em 2021. “Para que tenhamos aquele patamar que era antes da pandemia, creio que só irá acontecer do terceiro para o quarto trimestre deste ano, talvez possamos passar para o ano de 2021, pois será um processo lento e progressivo, e isso vai acontecer em todos os setores”, relata o presidente do Corecon-CE.

Esperança

Foi com muita alegria e esperança de dias melhores que a manicure Alziene Lima recebeu a notícia de que sua ocupação estaria entre as atividades liberadas a voltar a funcionar a partir de hoje. Para ela, significa que, finalmente, vai poder sair do aperto financeiro pelo qual vem enfrentando desde o início da pandemia.

“Depois desses meses, ainda não acredito que estou voltando ao trabalho, só sabe quem passa. Essa pandemia, além do medo de contrair a doença, existe também o temor da fome”, ressalta. Hoje, Alziene retoma seu trabalho, mas, segundo ela, os cuidados com a higiene e prevenção à propagação do vírus vai continuar. “Estou retornando, mas as cautelas para evitar aglomerações e a limpeza constante do ambiente e equipamentos, sem dúvidas, serão praticadas”, disse.