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15/06/2021

“Nada é irreversível, precisamos acalmar os ânimos”, diz Camilo Santana sobre aliança entre Ciro e Lula

 O Governador do Ceará, Camilo Santana, foi entrevistado , na manhã desta terça-feira (15) por jornalistas do UOL e falou sobre os mais diversos assuntos, dentre eles a vacinação contra Covid-19 no Ceará e articulações políticas para 2022.

Camilo Santana pode ser peça fundamental em uma ‘reconciliação’ entre Ciro e Lula para as próximas eleições presidenciais. O governador afirmou que a união é necessária para “tirar o Brasil de um caminho obscuro”.

“O que tenho procurado defender e construir é que possamos estar juntos [em 2022]. Eu provoquei um encontro de Ciro e Lula em setembro do ano passado. Fazia anos que eles não se encontravam. Acredito que eles têm muito mais convergências do que divergências”, disse o governador.

Lula e Ciro, ambos de partidos de esquerda, são nomes fortes para as eleições do próximo ano. No passado, Ciro já foi Ministro Ministro da Integração Nacional no governo Lula, entre 2003 e 2006. Os dois romperam publicamente em 2018 e retomaram as relações no fim de 2020.

Recentemente, no entanto, o pedetista tem direcionado uma série de ataques a Lula . O petista, por sua vez, respondeu dizendo que adoraria dizer que Ciro é um amigo, “mas, infelizmente, ele não quer”, disse o ex-presidente em seu Twitter. Questionado sobre a declaração de Ciro, Santana afirmou que “nada é irreversível”.

“Precisamos acalmar os ânimos”, disse.

“Muitas vezes não concordo com Ciro. Ele sabe do meu posicionamento. Ciro é um dos mais inteligentes do país. Lula foi um dos melhores presidentes que país já teve. Eu vou continuar na crença e no diálogo para construir caminhos, para tirar Brasil desse caminho obscuro que enxergamos. Eu posso até ser pessoa que está sonhando, mas continuo acreditando que é possível construir caminhos para 2022.”

Questionado sobre em quem votaria caso uma aliança não aconteça, o governador preferiu não se posicionar.

“Teremos tempo para avaliar e vamos tentar conduzir processo. Seria da minha parte uma antecipação tomar lado A ou B. São duas pessoas que eu tenho maior respeito e precisamos conduzir o processo até 2022”, disse.

Erros e autocrítica do PT

O governador cearense afirmou ainda acreditar que, ao longo dos governos do PT, houve muitos acertos, mas também uma série de erros que precisam ser reconhecidos.

“Sempre defendi que o PT devia fazer autocrítica, se reinventar, redescobrir origens, buscar apostar em um projeto que seja de estado, e não político de quatro anos”, declarou.

Para o governador, assim como o Brasil teve crescimento e destaque internacional em suas políticas , os governos petistas cometeram erros também, principalmente na área econômica.

“Poderia ter sido feito mais pela população mais pobre, poderia ter apoiado reformas do ponto de vista tributário”, disse Santana, que defendeu uma reforma para tributação de patrimônios, por exemplo.

Candidatura ao Senado

Camilo está em seu segundo mandato com governador do Ceará. Para as eleições do próximo ano, Santana deixou em aberto a possibilidade de disputar uma cadeira para o Senado em 2022.

“É claro que tem opções para avaliar, há perspectiva nesse sentido. Todas minhas decisões são coletivas. Se for importante pro Ceará, vamos avaliar essa candidatura”, declarou.

Bolsonaro no poder

Na avaliação do governador cearense, no entanto, a vitória de Jair Bolsonaro (sem partido) nas eleições de 2018 deve ser avaliada a partir de uma soma de fatores.

“Houve um movimento a nível mundial em relação ao crescimento da direita”, disse Santana.

“Houve erros na condução de algumas políticas da presidente Dilma, depois de suceder governo Lula. Mas a política é cíclica, tem mudanças. E houve forte ataque ao PT, durante anos, principalmente depois da reeleição da presidente Dilma”, afirmou.

Falta de transparência e coordenação nacional na pandemia

Questionado sobre a atuação do governo Bolsonaro em relação a pandemia da Covid-19, Santana diz que o governo tem falhado desde o início na condução do problema, especialmente no que diz respeito a uma coordenação nacional de estados e municípios para o enfrentamento da doença.

“Poucas vezes a maior autoridade do país convocou governadores para debater ações nesse sentido. Essa falta de coordenação, a negação à vacina… Poderíamos ter vacinado mais brasileiros. Não é crítica política, individual, é crítica institucional. É contra a falta de liderança”, declarou.

“Temos país beirando a 500 mil perdas de vidas. Isso é lamentável. Poderíamos estar mais avançados se não tivesse picuinhas políticas, como em São Paulo, com o [Instituto] Butantan”, afirmou o governador, lembrando os entraves para a compra de doses da CoronaVac, produzida pelo Butantan em parceria com a chinesa Sinovac.

O governador disse ainda que o Ceará tentou comprar vacinas da Pfizer mas, segundo ele, não pôde porque a farmacêutica informou estar em negociação com o governo federal. As tratativas do governo Bolsonaro com a Pfizer foram marcadas por incertezas e atrasos.

“O governo federal não comprou [em 2020], nem permitiu que estados comprassem. Só comprou em 2021. A falta de coordenação tem prejudicado fortemente o enfrentamento da pandemia”, afirmou Santana.



                             Ceará Agora 

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