Um ano de escolas fechadas e ensino remoto desafia professores e alunos, no Ceará

 



O ensino remoto protagonizou a educação na pandemia de Covid-19

O ensino remoto protagonizou a educação na pandemia de Covid-19

Berço da Alfabetização na Idade Certa e de bons desempenhos no ensino fundamental, o Ceará teve de fechar escolas e suspender aulas presenciais há um ano para conter a pandemia da Covid-19. Doze meses depois, com situação epidemiológica muito crítica e vacinação a conta-gotas, apesar de ensaiada a reabertura das unidades da rede pública cearense, o cenário continua o mesmo para cerca de 1,7 milhão de estudantes do ensino básico público no Estado.

Neste imbróglio educacional, destaca-se a atuação conjunta de diversas entidades e órgãos educacionais do Estado, como Conselho Estadual de Educação(CEE) e Fórum Estadual de Educação (FEE), para minimizar os impactos e orientar gestores e a comunidade escolar na modalidade de ensino remoto.

ERLLAINE com a filha Queteli: preferência por ensino remoto apesar das dificuldades observadas
Foto: Barbara Moira
ERLLAINE com a filha Queteli: preferência por ensino remoto apesar das dificuldades observadas

Calendários foram reajustados, alimentação escolar do alunado prejudicada, alerta para evasão escolar emitido, como a do Unicef que projetou evasão de 12 mil alunos, para a nova realidade também houve reforço tecnológico neste ano turbulento para a educação pública. Na ponta, professores e gestores lançaram mão da criatividade para alcançar gente de todo o estado, das áreas urbanas e rurais.

Com apoio do Itaú Social e do Unicef, pesquisa da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), divulgada na última semana, apontou que 78,6% das redes municipais de ensino respondentes em todo o Brasil identificaram um grau de dificuldade de médio a alto em relação ao acesso de estudantes à internet neste último ano.

Os dados mostram que apenas 33,9% dos municípios concluíram os protocolos de segurança sanitária. 59,6% estão em processo de discussão; e 6,5% ainda não iniciaram o debate sobre. Já os protocolos pedagógicos para a volta às aulas presenciais são discutidos por 70,4% das redes

Cícera Barbosa é professora de história do Ensino Fundamental em duas unidades no bairro Bom Jardim, na capital cearense: Escola de Ensino Fundamental e Médio Poeta Patativa do Assaré e Escola de Ensino Fundamental Dona Júlia Alves. Para ela, o ponto mais difícil foi manter a distância dos estudantes. "A adequação às tecnologias, a entrada da escola nas nossas casas, perder amigos e colegas professores, além do adoecimento de pessoas da vida pessoal, desorganizaram todo mundo".

A educadora reitera que as demandas também aumentaram. "Encaramos tantos desafios em conciliar uma vida virada do avesso, e ao mesmo tempo seguir em uma rotina que desse conta das aulas remotas, da burocracia institucional que triplicou muito nesse momento, na busca ativa pelos estudantes, na criatividade de inventar modelos e formatos outros."

A sobrecarga de trabalho e ensino totalmente alterado impactou diretamente no desempenho socioemocional dos trabalhadores da educação. Entre julho e agosto, cerca de 800 profissionais do setor buscaram apoio emocional no projeto Sala de Afetos, idealizado pelo cearense Renê Dinelli.

"Nós trabalhadores da educação, ao mesmo tempo que deveríamos nos preocupar com o processo de ensino-aprendizagem, com as relações de trabalho, também tivemos que resistir e combater um governo que queria desmontar dois grandes instrumentos sociais que poderia ajudar no combate ao covid-19: o SUS (Sistema único de Saúde) e o Fundeb", diz o presidente da Apeoc, Anízio Melo em crítica ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

PANDEMIA fez com que muitas escolas se adaptassem rapidamente ao ensino remoto
Foto: Bárbara Moira
PANDEMIA fez com que muitas escolas se adaptassem rapidamente ao ensino remoto

Com a proximidade das eleições municipais, a reabertura tornou-se uma decisão política e, mesmo com autorização estadual, as unidades se mantiveram fechadas. Os dias passaram, e mais de uma centena de prefeitos anunciou que não pretendia reabrir as escolas em 2020.

Jonathan Sales, diretor da Associação Cearense dos Estudantes Secundaristas (Aces), integrou a comissão que visitou as escolas estaduais para identificar como as estruturas estavam para receber o alunado. Para ele, a posição de não retorno às aulas foi coerente, principalmente, para evitar que hoje os índices de casos da Covid-19 fossem maiores.

O representante estudantil cita ainda a campanha nacional lançada por entidades nacionais nesta semana. "Vida, pão, vacina, educação" é o tema da Jornada de Lutas 2021 convocada pela União Brasileira de Estudantes Secundarista (Ubes), União Nacional de Estudantes (Unes) e Associação Nacional de Pós-graduandos (Anpg), com ações programadas para 30 deste mês.

                                                            O Povo 

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