Respostas para o Amanhã: vencedores criam robô para agricultura familiar, sementes com goma sustentável e composto natural contra poluição

 













A política de incentivo à pesquisa como princípio pedagógico nas escolas, instituída pela Secretaria da Educação (Seduc), vem apresentando frutos. Na semana passada, três projetos desenvolvidos em unidades de ensino da rede pública estadual do Ceará foram destaque na 7ª edição do Prêmio Respostas para o Amanhã, cujo resultado final foi anunciado durante cerimônia online. As iniciativas cearenses conquistaram o 1º e o 2º lugares nacionais, além de uma vitória pelo voto do Júri Popular. As três escolas vencedoras ficam situadas no município de Cascavel, na Região Metropolitana de Fortaleza.

A premiação busca estimular e divulgar ações de investigação e experimentação científica e tecnológica realizadas por estudantes do Ensino Médio de escolas públicas. A iniciativa é da empresa Samsung, com coordenação geral do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec Educação). Ao todo, 1.749 estudantes, 997 professores e 303 escolas de todo o Brasil participaram do Prêmio, que teve 521 projetos avaliados.

O primeiro lugar nacional foi para o projeto denominado “Vespertílio 01- robô semeador para a agricultura familiar”, criado por jovens da Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Edson Queiroz, orientados pela professora Thayane Farias. Conforme explica Ud Madeiro, um dos componentes da equipe vencedora, o dispositivo faz o processo de aragem e de plantio de forma automatizada, utilizando energia solar.

“O robô aumenta a capacidade de produção do agricultor, fazendo com que consiga produzir mais, com menor desgaste físico. A produção é cinco vezes maior do que no plantio manual. No mercado atual, não existem maquinários acessíveis a pequenos lavradores. O Vespertílio visa dar a estas pessoas condições de ter uma máquina agrícola, utilizando energia limpa. A mecanização tradicional, por meio de trator, custaria R$ 70,00 por hora em nossa região”, observa.

Além de Ud, também compõem a equipe as alunas Jamilly Félix e Anna Beatriz Santos. Todos cursam a 1ª série do Ensino Médio Técnico em Turismo.

Propostas

As equipes deveriam desenvolver trabalhos que enfatizassem o ensino desses campos do conhecimento para diagnosticar demandas reais e apresentar respostas que melhorassem a qualidade de vida das pessoas. Os projetos foram orientados por professores que lecionam disciplinas das áreas das Ciências da Natureza e da Matemática e suas Tecnologias.

O projeto “CapSeed: revestimento de sementes com goma sustentável”, apresentado por alunos da 3ª série da Escola de Ensino (EEM) Médio Ronaldo Caminha Barbosa, ficou em 2º lugar nacional. De acordo com a estudante Beatriz Nogueira, integrante da equipe que desenvolveu o trabalho, o produto proposto faz com que sementes possam ser preservadas com mais qualidade durante o período de armazenamento, diminuindo as chances de que sejam atacadas por microorganismos.

“O grande diferencial é que o nosso produto é biodegradável e pode ser plantado juntamente com os grãos. O maior impacto para a comunidade é a redução da perda de sementes no pré-plantio, já que elas podem ser armazenadas por mais tempo sem perderem o potencial germinativo”, explica.

Além de Beatriz, a equipe é composta pelas estudantes Lidiane Batista, Maria Gabriela Gomes e Yasmin Kaiane Miranda. A professora Joseline Nascimento foi a orientadora do trabalho, em parceria com o professor Sérgio Furtado.

Júri Popular

O Prêmio agraciou, ainda, três produções que foram vencedoras na categoria Júri Popular. Entre os trabalhos selecionados pelo público votante, está o “Biocompósito para Adsorção de Poluentes”, realizado por alunos da 2ª série da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Marconi Coelho Reis. Segundo o estudante David Ribeiro, um dos representantes da iniciativa, trata-se de um compósito sustentável para remoção de poluentes em meio aquoso a partir de resíduos agroindustriais da semente de abóbora.

“Este material apresenta características naturais para uso como adsorvente. Assim, quando em contato com a água contaminada, faz com que as partículas poluentes venham para perto de si, atraindo-as como um ímã, ficando retidas no final da superfície de onde estiverem. A ideia traz uma alternativa inovadora e criativa aos métodos convencionais de tratamento de águas contaminadas para nossa comunidade. O projeto vem com o intuito de contribuir positivamente do desenvolvimento social, econômico e ambiental, a fim de levar água tratada para todos”, esclarece.

A equipe de David também foi composta pelos estudantes Kemily Nayara Santos, Maria Clara Oliveira, Samuel Queiroz e Vinícius da Costa, sob a orientação da professora Heloína Lopes, em parceria com o professor Eduardo Henrique da Silva.

Semifinalistas

Além das iniciativas vencedoras, a rede estadual cearense também teve projetos entre os semifinalistas do Prêmio. Em comum, todos os trabalhos apontam soluções para demandas sociais.

O projeto “Bioquitina”, conduzido por jovens da 2ª série do Ensino Médio Técnico em Eletromecânica da EEEP Marta Maria Giffoni de Sousa, em Acaraú, apresenta um método para a remoção de óleo da água de mares e rios, possibilitando a limpeza de regiões afetadas pelo descarte de petróleo e seus derivados, por exemplo. A equipe foi orientada pelo professor Anderson Livino Santos.

Outra ação cearense semifinalista foi a “Tecnologia assistiva acessível para pessoas com deficiência visual, desenvolvida por alunos da 3ª série da EEM Júlia Alenquer Fontenele, em Pindoretama. Trata-se de um capacete de construção civil que recebeu adaptações para servir de guia a pessoas com deficiência visual. O equipamento possui sensores que avisam da proximidade com obstáculos. O grupo foi orientado pelo professor Igor Costa Cajaty.

Premiação

Cada estudante da equipe que obteve o 1º lugar receberá um smartphone Samsung. Os membros do grupo que ficou em 2º lugar terão direito a um tablet Samsung, cada um. Para os vencedores eleitos pelo Júri Popular, será entregue um troféu e fones de ouvido Samsung BUD+ para cada integrante.

Além disso, as escolas em que cada um destes projetos foi desenvolvido será contemplada com uma smart TV Samsung.

O Prêmio também já havia agraciado os professores orientadores dos 100 primeiros projetos considerados aptos com um “Kit Arduino Samsung”. Na sequência, os 20 projetos semifinalistas foram contemplados com 1 notebook Samsung, e terão apoio de mentoria online para desenvolvimento das ações.

Cada estudante das 10 equipes finalistas também foi contemplado com um notebook Samsung e o professor orientador com um smartwatch Samsung.

Confira os projetos premiados