Polícia Federal prende “doleiro dos doleiros” Dario Messer


A Polícia Federal prendeu na tarde dessa quarta-feira (31), em São Paulo, o doleiro Dario Messer, que estava foragido desde o ano passado. Messer, que é réu na Justiça Federal na Operação Câmbio, Desligo, foi detido na rua Pamplona, no bairro dos Jardins (zona oeste de São Paulo), de acordo com a Polícia Federal.

 

Ele foi localizado no apartamento de uma amiga com uma aparência distinta da que apresentava em seus eventos sociais: com uma barba e cabelos ruivos. A PF vinha monitorando seus passos por meio de interceptações telefônicas de algumas amigas que mantém no Brasil. Um telefonema feito nessa terça (30) auxiliou os policiais a identificarem o local em que o doleiro poderia estar escondido.

“Messer é o cabeça de uma grande rede de doleiros que trabalhava no submundo para lavar dinheiro de empreiteiras, políticos e sonegadores. Sua prisão representa um marco no combate ao crime organizado”, disse o procurador Eduardo El Hage, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Rio. Alvo de investigações desde a década passada, ainda no caso Banestado, ele ganhou o apelido de “doleiro dos doleiros”. Foi delatado na Lava Jato do Rio pela dupla Vinicius Claret e Cláudio Barboza, que tinha sido detida no Uruguai em 2017 e mais tarde se tornou colaboradora da Justiça.
Ele já havia tentado negociar se entregar às autoridades do país e era procurado também no Paraguai, país onde chegou a ter nacionalidade. O doleiro continua em São Paulo e ainda não foi decidido quando será transferido para o Rio de Janeiro, segundo Átila Machado, seu advogado.
Solicitação
Machado já havia solicitado ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) habeas corpus para o doleiro, sob alegação de que seu cliente era coagido e de que o pedido de prisão preventiva não se justificava, porque as acusações se referem há fatos passados e não havia risco de destruição de provas.
“Tivesse o paciente praticado supostos crimes na condição de líder ou de subordinado da imaginada organização criminosa, a ausência de contemporaneidade continuaria a obstar sua segregação cautelar a título de risco à ordem pública”, disse o advogado à época.
Os pedidos foram negados pelos ministros Gilmar Mendes, do Supremo, e Rogério Schietti Cruz, do STJ. “O recorrente está foragido há mais de 13 meses e, atualmente, não sofre nenhum cerceamento à sua liberdade”, disse Schietti, refutando que houve coação do doleiro.
“Não há falar em falta de urgência da medida [de prisão], principalmente ante a notícia de fuga e a natureza permanente do crime de organização criminosa. É preciso salientar que o dinheiro movimentado ilicitamente permanece oculto, a denotar que não houve cessação das atividades delitivas”, afirmou o ministro.
No último dia 9, a PF deflagrou operação no Rio baseada na delação de familiares de Messer. Dois suspeitos foram alvos de mandados de prisão. Segundo o Ministério Público Federal do Rio, a ex-mulher de Messer, Rosane, e os filhos Dan, Débora e Denise colaboraram com a Justiça.


o Estado