Dias de agonia: sob pressão dentro e fora do PL, Flávio Bolsonaro corre o risco de ser rifado

Blog do  Amaury Alencar
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Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atravessa um dos momentos mais delicados de sua trajetória política desde que lançou a pré-candidatura à Presidência da República. 

Pressionado por aliados, cercado por dúvidas dentro do próprio Partido Liberal e alvo crescente de ataques de adversários da direita, Flávio tenta convencer o meio político de que não cometeu qualquer irregularidade ao pedir ao banqueiro Daniel Vorcaro, por telefone, agilidade na liberação de recursos do Banco Master para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O episódio, revelado após o vazamento de áudios e mensagens envolvendo Flávio e Vorcaro, abriu uma crise interna no PL e gerou forte desgaste junto a setores do Centrão e de partidos que até poucos dias negociavam alianças para as eleições de 2026.

Embora o senador sustente que sua relação com o dono do Banco Master limitou-se exclusivamente ao financiamento do filme, dirigentes partidários e aliados próximos admitem, nos bastidores, preocupação com o impacto eleitoral das revelações e com a possibilidade de surgirem novos fatos que fragilizem ainda mais sua pré-candidatura.

CRISE INTERNA E DESCONFORTO NO PL

A crise se agravou após Flávio admitir que chegou a visitar Daniel Vorcaro pessoalmente, em São Paulo, quando o banqueiro já enfrentava restrições judiciais e utilizava tornozeleira eletrônica.

Dentro do PL, a revelação foi recebida como mais um elemento de desgaste político e aumentou o desconforto de deputados, senadores e dirigentes partidários que reclamam da falta de transparência do senador sobre a extensão da relação com o empresário.

Integrantes da legenda avaliam reservadamente que Flávio errou ao não antecipar aos aliados os detalhes da negociação envolvendo o financiamento do longa-metragem e também ao minimizar, inicialmente, os contatos com Vorcaro.

A percepção, hoje, é de que o senador vive dias de agonia política e tenta demonstrar que ainda mantém viabilidade eleitoral para permanecer na disputa presidencial.

DIREITA COMEÇA A SE DISTANCIAR

O desgaste já ultrapassa os limites do PL e começa a atingir a relação de Flávio com outras lideranças da direita nacional.

Dois dos principais nomes colocados como alternativas ao bolsonarismo tradicional passaram a fazer críticas públicas e indiretas ao senador: o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

Sem citar diretamente Flávio Bolsonaro, Caiado afirmou, durante participação na Marcha dos Prefeitos, em Brasília, que “uma pessoa contaminada” por Daniel Vorcaro “não tem estatura para sentar na cadeira da Presidência da República”.

Já Romeu Zema destacou que jamais teve relação com o banqueiro, mesmo sendo ambos de Belo Horizonte, e afirmou que “assombração sabe para quem aparece”, em uma alfinetada interpretada nos bastidores como recado direto ao senador do PL.

As declarações reforçam o movimento de distanciamento de setores da direita que enxergam na crise uma oportunidade para ocupar espaço político diante do enfraquecimento da pré-candidatura de Flávio.

DATAFOLHA PODE DEFINIR FUTURO POLÍTICO

Em meio à escalada da crise, cresce a expectativa em torno da pesquisa do Instituto DataFolha, que será divulgada nesta sexta-feira.

O levantamento é tratado por aliados e adversários como um divisor de águas para o futuro político de Flávio Bolsonaro.

Caso os números apontem queda acentuada nas intenções de voto e aumento da rejeição, integrantes do próprio PL admitem que a pressão por uma desistência poderá aumentar rapidamente.

Por outro lado, se a pesquisa mostrar recuperação ou estabilidade eleitoral, Flávio ganhará argumentos para tentar sobreviver politicamente e manter viva a pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

Enquanto aguarda os números, o senador enfrenta talvez a mais dura batalha de sua carreira política: convencer aliados, eleitores e partidos da direita de que ainda possui condições políticas e eleitorais para disputar a Presidência da República em 2026.

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