
Nascido em Brejo Santo, José Humberto Mendonça viveu sua adolescência e juventude em Juazeiro do Norte. Entretanto, sua vida adulta se consolidou no Crato, onde casou e construiu sua família, além de se destacar no cenário político e empresarial da região, ajudando a construir a economia do Cariri. Filho de Aurino Mendonça, um pequeno comerciante em Juazeiro do Norte, dr. Humberto sempre ajudava seu pai depois das aulas, despertando ali o seu lado empreendedor, o qual recorda com carinho daquela época.
“Eu sou filho de comerciante, meu pai é descendente de alagoano, minha avó, mãe Dadá, como era conhecida, chegou em Juazeiro em 1905. Juazeiro ainda não era cidade, Juazeiro só passou a ser cidade em 1911. Minha avó teve meu pai em Juazeiro e a minha irmã nasceu em Alagoas. E houve esse ato assim na minha vida, porque quando papai casou-se com a minha mãe, em Brejo Santo, minha mãe, uma senhora filha de família simples, mas de muito valor na cidade. O meu bisavô em Brejo Santo foi o primeiro prefeito de Brejo. Mas assim, tudo isso na simplicidade e o meu pai casou-se com a minha mãe dona Maria Luiza, gente muito boa, simples, criou seis filhos, cinco homens e uma mulher. A maioria se formou, outros foram empresários, e meu pai era comerciante no Brejo, em Juazeiro. Continuou no ramo de miudezas, onde se tornou um dos grandes empresários nesse ramo. E eu, ajudando a meu pai”, relembra.
Ainda em Juazeiro, dr. Humberto também despertou seu lado de líder e político, sendo presidente do Centro Estudantil Juazeirense, orador do Tiro de Guerra e em 1922 aos 22 anos, um dos fundadores do primeiro clube do Rotary Internacional, uma das suas paixões, além do Fluminense.
No Crato, o jovem casou-se com Maria Antonieta, filha de Antônio Alves de Moraes Júnior, um empresário do ramo do algodão e renomado político, e de Isabel Tavares, de família tradicional caririense. Tiveram quatro filhos e, neste ano, completam 60 anos de casados.
“Casei no Crato 1965, com Maria Antonieta Tavares de Morais, e este ano, completamos 60 anos de casados. Tivemos quatro filhos, Cybelle é psicóloga, casada com o médico Homero Carvalho, e teve duas filhas; Isabele, formada em arquitetura; e Ana Clara formada em medicina. Isa Danyelle, engenheira casada com o engenheiro George Barreto, teve três filhos; Gabriel formado em direito, Lucas fazendo engenharia e Maria Isa fazendo medicina. Cristina, advogada e procuradora Federal, tem dois filhos, Inacinho fazendo engenharia e Emmanoel fazendo o segundo grau, o seu marido é engenheiro e empresário, e Humberto Antônio formado em direito e casado com a médica Milena Teixeira. A nossa família é linda”, conta.
Ao lado do sogro, ele consolidou sua carreira empresarial, tornando-se delegado da Federação da Indústria do Estado do Ceará, para a região do Cariri por 10 anos. Dr. Humberto destaca a importância que o sogro, Antônio, teve na sua vida.
“Seu Antônio era empresário do ramo de algodão, foi um grande empresário na região e pioneiro do algodão no Cariri. E ele não tinha filhos, só tinha três filhas mulheres. Fui trabalhar com ele na usina. Depois de dois anos ele tornou a empresa S.A e eu me tornei sócio dele. Ele foi muito importante na minha vida e me deu a oportunidade de me expor, em termos de empresário, tanto no Cariri como no Ceará”, destaca.
Ainda dentre as atividades exercidas por Humberto no Crato, está a de presidente da Associação Comercial do Crato (ACC) durante 12 anos. Nessa oportunidade, criou a Associação dos Maquinistas de Algodão do Nordeste (Amane) e tornou-se também presidente dela.
Por conta de sua liderança empresarial, Humberto virou amigo de governadores do Ceará, como Virgílio Távora, Lúcio Alcântara, entre outros. Foi por meio destas amizades e do seu cargo como presidente da ACC, que o empresário conseguiu um feito histórico para a região do Cariri, realizar em 1982, uma reunião especial do Conselho Deliberativo da Sudene, onde estiveram, além de todos os governadores dos estados do Nordeste e de Minas Gerais, também estavam outros nomes importantes na época como, o ministro do Interior, Mário Andreazza e para a solenidade de inauguração do açude Tomas Osterne de Alencar, reunidos no evento. Na época, o pedido foi feito ao seu grande amigo, Virgílio Távora e prontamente atendido por ele.
“Fui presidente da Associação Comercial do Crato durante 12 anos e nessa oportunidade a Associação completou 50 anos no meu poder. E em 1982, eu era muito amigo do governador Virgílio Távora, então disse a ele que queria comemorar esse cinquentenário, trazendo a reunião da Sudene para o Crato. E ele disse: ‘Vamos fazer essa festa’. E fizemos, vieram todos os governadores dos estados nordestinos que fazem parte da Sudene. Fui agraciado com a comenda da Universidade Regional do Cariri, a URCA, que reconheceu essa minha visão do Cariri industrializado e a pujança comercial”, conta Humberto.O empresário chegou a cursar direito e, junto com a esposa Antonieta, se formou logo que a Faculdade de Direito do Crato foi criada. No entanto, devido às suas empresas e a vida política não chegou a exercer a função de advogado, assim como sua esposa.
No âmbito político, Humberto sempre foi atuante, e em 1988 chegou a concorrer ao cargo de prefeito do Crato, onde enfrentou lideranças tradicionais da cidade, chegando a tirar uma expressiva votação. Já em 1990, o empresário se candidatou a deputado estadual, alcançando a primeira suplência. Em 1992, Humberto foi eleito vice-prefeito do Crato. Após essas experiências eleitorais e por força maior, ele decidiu se afastar da política, mas o legado deixado por ele foi de homem íntegro. “Entrei limpo e saí limpo da política”.
Uma das lembranças marcantes do empresário foi sua amizade com o inesquecível Rei do Baião, Luiz Gonzaga, naquela época, Humberto era proprietário de uma fazenda no município de Exu, em Pernambuco, e relembra com carinho como essa amizade começou.
“Fui fazendeiro no Exu durante 40 anos e lá tive a oportunidade de conhecer Luiz Gonzaga, de quem fui grande amigo. Quando eu comprei a fazenda, as casinhas eram de taipa, eu demoli todas e fiz tudo de alvenaria branquinha, com umas portas azuis e ficou uma fazenda bonita. E Luiz Gonzaga, em uma das suas vindas do Rio, passou pela fazenda e falou: ‘que coisa bonita essa fazenda. De quem é essa fazenda?’. ‘É de um rapaz de Crato, Humberto Mendonça’, disseram a ele. ‘Eu quero conhecer esse Humberto’. Um dia ele chegou no meu escritório e disse: ‘Olha, eu vim lhe conhecer, eu sou Luiz Gonzaga’. Oh, rapaz, que prazer. Aí pronto, fizemos uma grande amizade”, relembra.
Ao lado de Gonzaga, Humberto conseguiu com os governadores de Pernambuco e Ceará, na época à frente dos cargos estavam Roberto Magalhães e Gonzaga Mota, o asfalto da estrada que liga Crato a Exu, por meio da Chapada do Araripe. O trecho da estrada pernambucana recebeu o nome de Rodovia Asa Branca e a parte pertencente ao Ceará foi batizada de Rodovia Gonzagão, em uma simbólica homenagem a este símbolo da música nordestina. Por conta de seu trabalho em Exu, Humberto foi reconhecido pela Câmara de Vereadores e recebeu o título de “Cidadão de Exu”.
Humberto também destaca que dessa amizade, ele foi o único político brasileiro a merecer uma música de campanha eleitoral para prefeito de Luiz Gonzaga. Segundo Humberto, sua amizade com o Rei do Baião foi “um privilégio que agradeço a Deus”.
Além de suas paixões empresarial, política, o Fluminense e o Rotary, Humberto também se destaca pelo seu lado jornalista e escritor. Ele produziu no Crato, artigos e reportagens para os jornais do Cariri, Fortaleza e até de São Paulo, os quais sempre abordou temas de cunhos críticos na defesa do progresso econômico do Ceará.
O empresário é autor de dois livros, “As Lições do Tempo e Minhas Paixões” e o mais recente, “O Brasil Apesar de Tudo: por falta de um grito se perde uma boiada”, foram todos produzidos com os seus artigos publicados até hoje.
Atualmente, Humberto Mendonça voltou a integrar o quadro de colunistas do Jornal O Estado, com artigos publicados todas às sextas.
(Por Dalila Lima)