Construção civil aposta em vendas online

Blog do  Amaury Alencar
A pandemia do coronavírus interrompeu o ritmo acelerado do setor da construção civil em 2020, no Ceará, e fez com que os trabalhadores do ramo passassem por adaptações. A previsão do mercado imobiliário cearense para este ano era positiva, com até R$ 2 bilhões de Valor Geral de Vendas (VGV) em lançamentos após crise que vinha sendo enfrentada desde 2016. Agora, como um dos primeiros setores que retomaram as atividades, a aposta está nas vendas online como estratégia de retorno de crescimento.


Diante do surto da Covid-19, o Ceará parou completamente as atividades da construção civil. Entretanto, o setor foi um dos primeiros a voltar no Plano de Retomada Responsável das Atividades Econômicas e Comportamentais do Ceará. Mesmo com o retorno há pouco mais de um mês, os diferentes formatos para vender não detiveram lucros ainda devido ao temor da população em contrair o vírus e seguindo o isolamento social. Foi nesse contexto que a construção civil viu a necessidade de, também, se reinventar para aquecer as vendas novamente e começou a investir nos canais de vendas online.
Os serviços através das vendas online passaram por modernização, com ferramentas como assinatura digital e plantas 3D e, cada vez mais, o meio digital tem se mostrado uma realidade no presente e futuro do setor. Para o presidente do Sindicato da Indústria e da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias, a pandemia trouxe uma antecipação de muito que estava previsto em termos de tecnologia. “Se pudermos pegar alguma coisa positiva dessa pandemia, que já trouxe muitas coisas negativas, é que tudo aquilo que projetávamos para acontecer em 2021 e 2022, como as vendas online e digital, hoje já conseguem funcionar. Antecipamos que os cartórios teriam registro online, as reuniões virtuais, aderimos ao home office, e percebemos que tudo isso está funcionando”, pontua.
Perspectiva
Diferente de outros setores como alimentação, transporte e vestuário, a construção civil ainda não falava a língua de seus clientes. É o que analisa o empresário Jackson Lopes, sócio da startup Prospecta Obras. Para ele, os consumidores gostariam de canais de atendimento mais acessíveis, como WhatsApp, redes sociais e sites para comunicação.
Jackson considera que crise do novo coronavírus trouxe a realidade já eminente da necessidade de modernização do setor. “A construção civil sempre nadou contra o fluxo. Enquanto todos os setores estavam se modernizando, indo para a parte tecnológica, o ramo demorou para dar passos nessa direção. Agora com a pandemia, esse modelo antigo acabou de vez e ela teve que começar a se reinventar, correr atrás do tempo perdido”, afirma.
Retomada
O presidente do Sinduscon-CE avalia, também, que as dificuldades no começo do ano por conta do novo coronavírus teve percalços, porém com a retomada da economia houve um salto muito positivo, mais do que esperado devido ao cenário que estamos tentando ultrapassar. De acordo com Patriolino Dias, muito desse crescimento foi impulsionado devido à visão de imóvel como investimento.
O setor segue otimista com relação ao segundo semestre de 2020. O recente anúncio da Caixa Econômica Federal, de incorporar ao financiamento o custo com ITBI e despesas cartoriais deverá facilitar os negócios. “Em breve estaremos lançando novos empreendimentos. Acreditamos que o setor da construção civil vai gerar cada vez mais empregos e renda, contribuindo de forma decisiva para retomada da economia em nosso Estado”, afirmou Patriolino Dias.
Os juros baixos praticados, principalmente, pela Caixa Econômica Federal e taxa básica de juros (Selic), definida pelo Copom, são medidas que devem impactar de forma positiva o mercado imobiliário do Ceará. Para Patriolino Dias de Sousa o cenário deve ajudar muitas famílias a concretizarem o sonho da casa própria. “Mesmo em meio à pandemia o Minha Casa, Minha Vida continuou vendendo. Isso ocorreu porque há uma grande demanda para esse produto, dado o enorme déficit habitacional e também por conta da Caixa e dos juros dos bancos, que tornam a compra financiada mais acessível”.