Terceiro maior açude do Ceará, o Banabuiú,
localizado na bacia hidrográfica de mesmo nome, está com 8,54% da
capacidade de abastecimento, que corresponde a 136 milhões de metros
cúbicos de água. O reservatório não chegava a índice igual ou superior ao atual desde outubro de 2014,
quando chegou a 8,58% do volume total. O sistema hídrico do Estado está
com 29% da capacidade de abastecimento, conforme o Portal Hidrológico.
O reservatório registrou perda acentuada de
volume desde meados de 2011. Em 2015, a situação se agravou e o Banabuiú
passou a acumular menos de 1% da capacidade total. A partir da quadra
chuvosa de 2018, porém, o cenário começou a melhorar, com aumento
paulatino da recarga.
Conforme Paulo Ferreira, gerente regional da Companhia
de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) da bacia do Banabuiú, o açude
recebe águas, principalmente, dos rios Banabuiú e Quixeramobim. “O açude
abastece a sede municipal de Banabuiú e algumas comunidades de
Quixeramobim e Banabuiú. Até 2015, ele também era perenizado para uso na
agricultura e pecuária. Depois disso, foi liberado apenas para
abastecimento humano em algumas comunidades”, diz. O último ano em que
operou normalmente para produção foi em 2014.
A bacia do Banabuiú, que registra 9,9% do volume total,
é uma das em situação hídrica mais crítica nos últimos anos. “A bacia
apresenta recarga muito em virtude do açude Banabuiú e de outros açudes
que estavam secos desde 2015, como o Serafim Dias, em Mombaça, e o
Vieirão, em Boa Viagem. Ambos estavam sendo atendidos com a utilização
de poços”, explica. Com a recarga, Boa Viagem tem abastecimento
garantido e não vai mais precisar do uso de adutoras até fevereiro de
2021.
Ele frisa que os reservatórios Jatobá, em Milhã, e
Trapiá II, em Pedra Branca, ainda não registraram recarga suficiente
para o abastecimento dos respectivos municípios, que são atendidos desde
2016 com chafarizes e poços.
Castanhão, o maior reservatório do Estado, localizado
na bacia do Médio Jaguaribe, está com 12,79% do volume total. Segundo
maior, o Orós, no alto Jaguaribe, acumula 18,80% da capacidade. Quarto
maior, o Ararás, na bacia do Acaraú, está com 96, 82% do volume total.
Bacias hidrográficas
Assim como Banabuiú, as outras bacias são localizadas
na porção Centro-Sul do Estado que, historicamente, recebe chuvas menos
intensas e contínuas. Com a quadra chuvosa deste ano, a região também
tem tido aporte, ainda que tímido. Salgado está com 40,2% da capacidade,
seguido de Sertões de Crateús (44,5%), Alto Jaguaribe (26,1%) e Médio
Jaguaribe (12,3%).
As bacias do Coreaú (97,7%), Litoral (95,6% ), Acaraú
(84,7%) e Serra da Ibiapaba (76,3%) estão com os melhores aportes e em
situação considerada confortável. Assim como Baixo Jaguaribe (63,7%),
Metropolitana (21,6%), Curu (21,6%).
Dos 155 açudes monitorados pela Companhia de
Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 30 estão sangrando e 13 estão com
mais de 90% da capacidade. Por outro lado, 57 reservatórios estão com
menos de 30% do volume, 12 estão com volume morto e três estão secos.
A quadra chuvosa (fevereiro, março, abril e maio) de
2020 já acumulou 531,7 milímetros de precipitações, o que representa
88,5% da volume esperado para o período.o Povo