O neurocirurgião norte-americano James T. Goodrich morreu nesta segunda-feira, 30, em decorrência da Covid-19. O médico ganhou notabilidade no Brasil em 2018, quando orientou a cirurgia de separação das irmãs cearenses Ysablle e Ysadora, siamesas que nasceram unidas pela cabeça.
De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Goodrich estava internado há sete dias, sofrendo nesta segunda complicações pulmonares em decorrência do novo coronavírus que o levaram ao óbito.
Goodrich foi quem orientou os procedimentos cirúrgicos
de Ysablle e Ysadora, que nasceram siamesas craniópagas, isto é, ligadas
pelo topo do crânio. Com cérebros independentes, as crianças, naturais
de Patacas, em Aquiraz, dividiam a principal estrutura que recolhe o
sangue cerebral.
Levadas para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto,
em São Paulo, as meninas passaram por sucessivas cirurgias em 2018,
quando venceram tanto os procedimentos de separação física quanto o de
reconstrução do crânio. Esse último durou cerca de 20 horas e envolveu
30 profissionais. Naquele momento, o caso era realizado de maneira
inédita no Brasil.
Entre os profissionais que participaram desse momento, o
neurocirurgião brasileiro Hélio Machado lamentou a perda do médico
norte-americano. "Goodrich definiu a técnica, sistematizou e
possibilitou que as crianças, separadas, sobrevivessem”, disse ele à
Folha.
A equipe médica de Ribeirão Preto está produzindo um livro sobre a cirurgia. A obra será dedicada a Goodrich.
o Povo