Foto: Ricardo Stuckert / Crédito: Ricardo Stuckert/PR
O Partido dos Trabalhadores oficializou, neste domingo, 2, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. A definição ocorreu em evento no Expo Center Norte, na Zona Norte da cidade de São Paulo. O petista, que lidera a disputa segundo pesquisas de intenção de voto mais recentes, tentará um quarto mandato como presidente do Brasil.
Lula disse que pretende disputar o quarto mandato para cumprir uma série de compromissos e elencou temas ligados à educação, envelhecimento, Defesa e tecnologia.
"Sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação. Para pagar a dívida com os idosos do País, é preciso saber que a população envelheceu (...) Vamos criar um programa para o idoso", declarou.Sobre a Defesa, fez um apelo a aliados.
"Quero pedir para a esquerda, mulheres e homens, pararem com essa bobagem de achar que não temos que ter preocupação com a Defesa. Precisamos investir. Quero estar preparado para ninguém invadir o país e levarem o presidente. Quero estar preparado para a paz, não para a guerra", pontuou.Lula também falou da necessidade de investir em Inteligência Artificial (IA) e transição energética.
Trechos do discurso Lula subiu ao palco ao lado da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do ex-ministro Fernando Haddad (PT). Outros aliados estavam nas tribunas de destaque, como os senadores cearenses Camilo Santana (PT) e Cid Gomes (PSB) e o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). O evento começou com a execução do hino nacional.Ele falou após os aliados e deu espaço para Janja começar a discursar antes. Ela declarou apoio e orgulho ao marido. A primeira-dama defendeu o pacto contra o feminicídio e reafirmou a necessidade de políticas para a área.No início da própria fala, Lula fez uma análise envolvendo jogadores que mais disputaram Copas do Mundo de futebol, o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo, que participaram de seis torneios.
"Essa Copa minha (a eleição) é a sétima. Já fui candidato em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2022 e agora em 2026. Se eu ganhar essa, são quatro copas. Não vou ter chance de disputar o penta, porque eu resolvi, depois de entregar o Brasil perfeitamente para o povo, vamos sair de férias. Esse é meu desejo."
Lula agradeceu aos aliados, disse que se tratava de um dia de festa e lembrou da trajetória de criação do PT durante a redemocratização do Brasil. "Fui chamado durante muito tempo de divisionista; vocês não sabem quantas brigas tivemos com os companheiros do PCdoB. Depois o partido compreendeu a necessidade de estarmos juntos", lembrou.
"O PSB tinha um líder, o companheiro Miguel Arraes, que foi o único que fui receber no aeroporto após o exílio. Minha relação com ele, com o Eduardo Campos, foi extraordinária, a partir da necessidade de reconstruir o Nordeste."Ele citou os presentes, dentre eles o governador cearense Elmano de Freitas (PT), além de Camilo e de Cid Gomes.
"Aqui tem três do Ceará", declarou, cumprimentando os aliados. Ele também ressaltou a competência de Alckmin, afirmando que o Brasil "nunca teve" um ministro da qualidade do pessebista.Batalha pelos indecisos O petista dedicou trecho da fala a pedir que os aliados fossem às ruas para convencer os indecisos, citando que há bolsonaristas por convicção e outros eleitores de ocasião.
"Tem cara que é bolsonarista porque é bolsonarista, mas tem um monte de gente que não é. E a gente precisa convencer essas pessoas. Para que serve nossa boca, nossa língua, o dom da palavra? Não é para criar slogan", reforçou.Críticas a fundo partidário e emendas Lula também fez críticas ao sistema político brasileiro e falou em tom de promover reformas na forma como a política é feita no Brasil. "Esse negócio de fundo partidário não me agrada, está levando os partidos à promiscuidade; fez todos virarem iguais. Conheço partido que recebe R$ 1 bilhão por ano", mencionou.Ele prosseguiu: "E muitas vezes, no Executivo, a gente precisa cortar R$ 10 milhões em escolas, programas de saúde.
Eu quero que saibam que a minha quarta Presidência é para mudar muita coisa no País. E vai ter briga com emenda parlamentar, com o papel do Legislativo", alertou.Combate ao feminicídioO petista falou em favor do combate à violência contra a mulher e disse que o partido e seu governo têm que ter coragem de dizer: "Ou o homem vota em mim ou bate na mulher; se bater em mulher, não precisa votar em mim.
Pegue sua mão e vote em quem quiser (...) A luta contra a violência contra as mulheres não é delas, é de nós, homens", disse.Ele continuou: "E as mulheres não têm que ter medo de denunciar. Desde que fizemos o pacto contra o feminicídio, fizemos mais leis e decretos do que nos últimos cem anos. O cara vai ser preso logo, vai ter que colocar tornozeleira, e é assim que vamos educar os homens.
Até porque ele tem que lembrar de onde veio, da barriga de uma mulher", pontuou.Aliados falaram da importância da eleição presidencialO presidente nacional do PT, Edinho Silva, começou a rodada de discursos saudando os presentes e agradecendo aos apoiadores que viajaram de várias regiões do País para estarem presentes no lançamento da candidatura de Lula.
"O Brasil terá que fazer uma escolha de que legado vamos construir para as próximas gerações, e as eleições no Brasil vão influenciar o futuro da América do Sul e da América Latina. Temos que ter essa clareza", declarou.O ex-prefeito de São Paulo e candidato a governador, Fernando Haddad, que discursou em seguida, exaltou feitos da gestão Lula e Alckmin, e fez críticas à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Haddad disse ainda que Lula desperta "inveja" de adversários e que fez investimentos e ajustes no País, sem colocar a carga "no lombo do trabalhador".
Haddad declarou ainda que a missão dos próximos 60 dias de campanha será trazer a verdade em um ambiente em que opositores trabalham com "mentiras". O ex-ministro cravou que Lula e Alckmin vencerão as eleições de 2026.Alckmin declarou admirar duas características do PT: "A primeira, a militância aguerrida. Sempre admirei isso no PT. Partido sem militância não é. O que faz diferença é a militância e o time.
E uma segunda característica do PT, podemos ter princípios, valores, o mesmo programa, mas não precisamos ser iguais, e o PT tem democracia interna", disse Alckmin, que foi um dos fundadores do PSDB e rivalizou, por anos, na política nacional com os petistas.O vice-presidente criticou adversários que questionam, sem provas, a legitimidade de pleitos recentes e disse que a urna eletrônica é segura e "tão competente que não aceita voto de argentino ou americano"
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