Conta de luz deve subir 8% em 2026 e pressionar orçamento das famílias

Blog do  Amaury Alencar
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Os primeiros reajustes tarifários aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2026 sinalizam um ano de forte pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. A estimativa média do órgão é de que a conta de luz suba 8% no país neste ano, percentual superior ao dobro da inflação projetada, em um movimento puxado sobretudo pelo avanço dos encargos setoriais embutidos na tarifa. Nos reajustes já homologados, o impacto foi expressivo em Roraima, a alta média ficou em 24,13%; na área de concessão da Light, no Rio de Janeiro, o efeito médio para o consumidor foi de 8,59%, com 6,40% para os clientes residenciais; e na Enel Rio, o reajuste aprovado ficou na casa de 15,5% em média.
No centro dessa pressão está a Conta de Desenvolvimento Energético, a CDE, mecanismo que financia uma série de políticas públicas do setor elétrico e que, em 2026, deverá alcançar R$ 52,7 bilhões, sendo R$ 47,8 bilhões pagos diretamente pelos consumidores nas faturas. Segundo a projeção divulgada pela Aneel no boletim InfoTarifa de março, esse componente sozinho pode responder por 4,6 pontos percentuais do reajuste médio nacional, o equivalente a cerca de metade da alta prevista para o ano.
A expansão dos subsídios reflete decisões regulatórias e legislativas acumuladas nos últimos anos. Entre elas estão os incentivos a fontes renováveis e a ampliação de políticas de desconto tarifário, incluindo a gratuidade da conta de luz para parte da população de baixa renda aprovada em 2025. Ao mesmo tempo, a estrutura de custos do setor segue pressionada pela expectativa de uso maior de usinas térmicas em um cenário de menor favorabilidade hidrológica e pelo avanço da descotização da antiga Eletrobras, hoje privatizada, processo que reduz gradualmente a oferta de energia vendida a preços antigos às distribuidoras até 2027. Essa combinação torna a tarifa mais sensível às condições de mercado e ao encarecimento da energia comprada pelas concessionárias.

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Reajustes
Nos reajustes já anunciados, os encargos aparecem como fator central. No caso da Light, a Aneel informou que os principais vetores de alta foram justamente os encargos setoriais, além das despesas com transporte e aquisição de energia. Em Roraima, estado recém-integrado ao Sistema Interligado Nacional, a elevação também foi influenciada pela nova estrutura de custos da operação conectada ao sistema nacional. O quadro confirma que a conta de luz deixou de responder apenas ao custo direto da geração e da distribuição e passou a refletir, de forma crescente, a complexidade do arranjo institucional do setor elétrico.
A promessa de aliviar esse peso por meio de uma reforma mais ampla do setor acabou perdendo força. Embora o governo federal tenha defendido em diferentes momentos a redução dos subsídios, prevaleceu a dificuldade política de enfrentar interesses consolidados no Congresso. Em paralelo, a Aneel discute a destinação de recursos do Uso do Bem Público, o UBP, para reduzir tarifas de consumidores cativos em distribuidoras localizadas nas áreas da Sudam e da Sudene. O boletim da agência informa que até R$ 7,9 bilhões podem ser repactuados para essa finalidade, enquanto reportagens recentes apontam que o alívio tarifário potencial poderá atingir distribuidoras do Norte e do Nordeste, inclusive a Enel Ceará.

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