O cenário atual é considerado crítico. O Açude Poço da Pedra, responsável pelo abastecimento do município de Campos Sales, encontra-se com apenas 3% de sua capacidade hídrica, aproximando-se rapidamente do volume morto, situação que compromete severamente a captação de água e ameaça provocar um colapso total no sistema de abastecimento. A estiagem prolongada, aliada à irregularidade das chuvas nos últimos anos, agravou ainda mais a situação dos reservatórios da região.
Na zona rural de Campos Sales, a realidade é ainda mais dura. Reportagens do Blog do Amaury Alencar e do site Matheus Repórter Cariri estiveram em comunidades rurais e ouviram relatos dramáticos de trabalhadores do campo que convivem diariamente com a falta d’água. Em várias localidades, famílias já dependem exclusivamente de carros-pipa para garantir o mínimo necessário para o consumo humano e para manter os animais vivos.
O trabalhador rural José Pedro da Silva, residente no distrito de Carmelópolis, descreveu a situação como desesperadora. Segundo ele, a região vive um verdadeiro bolsão da seca:
“É uma situação angustiante. Estamos vivendo um verdadeiro bolsão da seca. Eu não sei como ficará o meu rebanho animal. Aqui a pastagem está acabando, os pequenos açudes estão começando a secar e estou muito preocupado. Estou tendo que comprar uma carrada d’água de carro-pipa a R$ 200,00 para poder termos uma água de boa qualidade para consumirmos e até dar aos animais. O cenário é de desolação”, afirmou.
Segundo o trabalhador rural, o sentimento predominante entre os moradores da zona rural é de desespero e insegurança, diante da ausência de soluções imediatas e do risco de perdas irreparáveis na produção agropecuária.
Em Salitre, a situação também é alarmante. A agricultora Maria Iraneide da Silva, residente na zona rural do município, relata que a falta de água já começa a gerar grande preocupação entre as famílias. Segundo ela, o temor maior é de que a escassez comprometa o consumo humano e, em seguida, afete também os animais.
“Estou temendo não termos mais água para o nosso consumo humano, e isso pode afetar também os animais. As pastagens são poucas e a situação só piora. Até quando iremos viver na dependência de abastecimento por carros-pipa? Muitas vezes temos até que comprar água para a nossa sobrevivência. É um problema antigo que não é solucionado”, pontua a agricultora.
Em Araripe, o cenário também é preocupante, especialmente em comunidades da zona rural onde a situação já começa a atingir níveis críticos. O trabalhador rural Cícero Pereira da Silva, residente na Serra da Perua, relata que a falta de água já compromete tanto o consumo humano quanto a criação de animais.
“Há localidades onde já está faltando água para o consumo humano e animal. Os pequenos açudes estão começando a perder a sua carga hídrica, e isso nos preocupa muito”, enfatiza o trabalhador rural.
O alto custo da água transportada por carros-pipa — que varia entre R$ 150,00 e R$ 200,00 por carrada — pesa no orçamento de agricultores que já enfrentam dificuldades econômicas. Para muitas famílias, a compra constante de água tornou-se insustentável, especialmente para aquelas que dependem da criação de ovinos, caprinos e bovinos como principal fonte de renda.
Além da escassez de água para o consumo humano, a falta de pastagens agrava ainda mais a situação do rebanho. Com o solo ressecado e a vegetação praticamente inexistente, produtores temem a morte dos animais nos próximos meses, o que pode gerar impactos sociais e econômicos profundos nas comunidades rurais.
Diante desse quadro, a reivindicação pela perfuração de um novo poço profundo na Serra do Desapegado ganha força entre moradores, trabalhadores rurais e lideranças locais.
A expectativa é que a exploração de água subterrânea possa ampliar a oferta hídrica e atender, de forma integrada, os municípios de Araripe, Salitre e Campos Sales, reduzindo a dependência exclusiva de açudes que se encontram em situação crítica.
A população cobra do poder público uma resposta rápida e efetiva, defendendo que a crise hídrica seja tratada como prioridade absoluta. Para os moradores do Cariri Oeste, investir em infraestrutura hídrica não é apenas uma medida emergencial, mas uma ação essencial para garantir dignidade, segurança alimentar e condições mínimas de sobrevivência no semiárido cearense.
Enquanto aguardam providências concretas do Governo do Estado, famílias seguem enfrentando a dura realidade da seca, convivendo com a incerteza, o medo de perder seus rebanhos e a luta diária para garantir água potável. A situação reforça a urgência de políticas públicas permanentes voltadas para a convivência com o clima semiárido.