Centro de Turismo de Fortaleza: memória e artesanato que conectam gerações

Blog do  Amaury Alencar
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O prédio que hoje abriga o Centro de Turismo de Fortaleza, antiga Emcetur, é um dos marcos históricos mais importantes da cidade. Construído em 1850 pelo engenheiro Emmanuel Gouveia, foi a primeira cadeia pública de Fortaleza, ocupando 7 mil metros quadrados e com muralhas de cinco metros de altura. Inicialmente estimada em 40 contos de réis, a obra consumiu 146 contos ao longo de 16 anos.
Funcionou como cadeia até a década de 1970, quando passou por três anos de debate sobre seu futuro. Entre propostas de demolição e planos para transformá-lo em complexo hospitalar, o então governador César Cals optou por criar um centro de artesanato. Em 1973, o edifício foi reinaugurado como Centro de Artesanato, conhecido como Emcetur, e hoje integra a Secretaria de Turismo de Fortaleza.
Mais do que um ponto turístico, o Centro de Turismo é espaço de memória viva, tradição e criatividade. Cada corredor e cada loja refletem gerações de artesãos, conectando passado e presente. É o que explica Matheus Viana, da terceira geração de artesãos: “Meu caminho começou com minha avó, passou para minha mãe e hoje sigo com minha própria loja. Trabalho com eco bags bordadas à mão e camisetas que retratam o Centro de Turismo e o nosso Nordeste. Aqui aprendemos a valorizar o artesanato e a perpetuar nossa cultura.”
Outro permissionário de longa data, Flávio Francisco Alves, ressalta a dimensão familiar e histórica do espaço: “A primeira geração foi meu tio, depois veio meu pai, e hoje ainda quatro irmãos trabalham aqui. Atendemos visitantes de todo o Brasil e do mundo, compartilhando produtos regionais e conhecimento sobre nossa cultura. Trabalhar aqui é mais do que vender artesanato: é manter viva a história de Fortaleza e mostrar ao público a riqueza do nosso Estado.”

História viva de Fortaleza

Para o secretário de Turismo, Eduardo Bismarck, o Centro é muito mais que um espaço comercial. “O prédio da nossa Emcetur é uma história viva. Ali está preservada parte da memória urbana, um edifício do século XIX que, ao longo das décadas, foi reinventado para abrigar a cultura, o artesanato e as expressões populares do nosso povo. Valorizar esse equipamento é respeitar quem somos. Cada loja, cada renda, cada história vendida ali preserva laços familiares, técnicas tradicionais e identidade cearense para as novas gerações”, afirma.
Bismarck destaca ainda o papel do Centro como vitrine da cultura local: “A arquitetura que transforma antigas celas em pequenas lojas cria um cenário único para o artesanato, tornando cada peça protagonista de uma narrativa. A presença contínua de feiras, exposições e o fluxo turístico garantem visibilidade às técnicas tradicionais e aos artistas, conectando-os diretamente a moradores e visitantes que levam um pedaço do Ceará no retorno.”

Revitalização
O poder público também atua para fortalecer o turismo cultural e valorizar os artesãos. Segundo o secretário, o Estado promove manutenção e qualificação dos espaços, apoio institucional via SETUR, capacitação, eventos e divulgação dos produtos locais. “Recentemente intensificamos ações de promoção e presença em eventos, além de articulação para qualificar espaços e fazer parcerias que aumentem a renda dos artesãos. Queremos que a Emcetur não seja apenas um ponto de visitação, mas um polo de geração de emprego e renda para quem trabalha com cultura popular”, completa.
Projetos de revitalização e modernização têm sido realizados ao longo dos anos, buscando equilíbrio entre preservação histórica e demandas contemporâneas do turismo. “As reformas estruturais conservam o edifício tombado, mantendo sua leitura histórica, enquanto atualizam a experiência do visitante — segurança, acessibilidade, conforto e infraestrutura comercial. Nosso compromisso é preservar a alma do lugar e oferecer condições para que ele atraia mais públicos e gere renda sustentável”, explica Bismarck.

Encontro da memória
Hoje, o Centro de Turismo é um ponto de encontro entre memória, economia criativa e sociabilidade. Para os fortalezenses, reconectar-se com o patrimônio significa frequentar o espaço, prestigiar artesãos, participar de oficinas, eventos culturais e apoiar iniciativas que garantam manutenção e programação contínua. “Valorizar a Emcetur é valorizar o profissional que sustenta sua família com arte, é fortalecer nossa identidade e impulsionar um turismo que respeita a história e promove desenvolvimento. Convido toda a população a voltar a esse equipamento como espaço de encontro, compra consciente e orgulho cearense”, conclui o secretário.

ENDEREÇO: RUA SENADOR JAGUARIBE, S/N, CENTRO, FORTALEZA – CE. FUNCIONAMENTO: SEGUNDA A SÁBADO, DAS 8H ÀS 18H; DOMINGO, DAS 8H ÀS 13H. ACESSO: ENTRADA GRATUITA. O QUE ENCONTRAR: ARTESANATO LOCAL, ECO BAGS, BORDADOS, RENDAS, CERÂMICAS, OFICINAS CULTURAIS E EXPOSIÇÕES TEMPORÁRIAS.


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