
Uma reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, exibe, na noite dessa quarta-feira (14), mostra que o desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas foi alvo de inquérito na Polícia Civil de Brasília em 2020, mas as investigações, transferidas para a Polícia Federal, ficaram encerradas sem indiciamento de envolvidos no caso.
Segundo a reportagem, em m 2020, durante o Governo Bolsonaro, um servidor da Diretoria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) denunciou as cobranças indevidas em aposentadorias e pensões. A reportagem revela, ainda, que o servidor disse ter recebido ameaça após identificar irregularidades nos descontos.
A reportagem destaca que a Polícia Civil do Distrito Federal começou a investigar os descontos indevidos em 2020. O inquérito foi aberto com base em denúncias apresentados por beneficiários do INSS.
Durante as investigações, segundo a reportagem do Jornal Nacional, o servidor prestou depoimento em fevereiro de 2021 e citou denúncias de descontos irregulares em benefícios feitos pela Conafer.
O acordo entre a Conafer e o INSS para fazer os descontos direto nos benefícios foi assinado em 2017 e foi suspenso em setembro de 2020. Em outubro daquele ano, o INSS transferiu de diretoria a responsabilidade por analisar esses acordos. Com a mudança, a Conafer foi reabilitada.
Sem investigações, o caso do desvio de dinheiro denunciado no ano de 2020 se transformaria, cinco anos mais tarde, no maior escândalo da história da previdência social brasileira.
Um relatório da CGU de 2024 mostra que a Conafer foi a entidade que mais aumentou o volume de descontos entre 2019 e 2024 em números absolutos. Passando de R$ 400 mil por ano em 2019 para R$ 57 milhões em 2020 e R$ 202 milhões em 2023.
Segundo a reportagem do Jornal Nacional, a Justiça do Distrito Federal decidiu que a competência para investigar o caso era da Polícia Federal.
Em abril deste ano, a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Sem Desconto que descobriu desvio de R$ 6,3 bilhões de aposentadorias e pensões, entre os anos de 2019 e 2024.
O escândalo derrubou o então presidente do INSS, Alessandro Stefanuto, e o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi.