Com o
objetivo de incentivar o apadrinhamento de animais pelas pessoas que não
podem ter um animal de estimação em casa, foi desenvolvido por
estudantes do Campus de Quixadá da Universidade Federal do Ceará (UFC) o
aplicativo PadimPet. A tecnologia ficou com o primeiro lugar na
Competição de Design do XVIII Simpósio Brasileiro sobre Fatores Humanos
em Sistemas Computacionais, principal evento científico da área de
Interação Humano-Computador (IHC) no Brasil. A disputa ocorreu em
Vitória, no Espírito Santo entre em outubro.
O aplicativo funciona por
meio de um recipiente automatizado chamado de dispenser inteligente, que
é equipado com um sensor. Os dispensers armazenam ração e o sensor
indica quando ele está cheio ou quando a ração está próxima de acabar. O
sistema permite ao abrigo programar a quantidade e a frequência
desejadas para despejar a ração, possibilitando o gerenciamento de
alimentação e de estoque com informações transmitidas em tempo real aos
usuários. O PadimPet possui duas versões, uma feita para os padrinhos e
outra para os abrigos de animais.

Uma das autoras do projeto
e estudante do curso de Design Digital, Raíssa Barros, 30, diz que a
ideia do aplicativo surgiu pela proposta da própria competição, que
neste ano teve como temática a adoção de animais abandonados. “Optamos
por fazer a união de um aplicativo com um objeto inteligente e chegamos
no dispenser inteligente. Colocar o dispenser na rua poderia agravar o
problema, atraindo mais animais. Então, decidimos trabalhar com o
apadrinhamento para fazer essa ponte entre abrigos e padrinhos”,
comenta.
O protótipo do dispenser
inteligente custou em torno de R$ 80 mas esse não é o custo final pois
até virar um produto, o protótipo será redesenhado. Raíssa explica que
uma das prioridades da equipe é fazer com que o dispenser seja produzido
com baixo custo. Na versão do padrinho, existem notificações emitidas
para alertar sobre a necessidade de novas doações. A forma de pagamento
ainda não está definida mas há a proposta de que a doação seja feita
dentro do próprio aplicativo, caso o usuário prefira. Além disso, o
padrinho pode acompanhar como está a saúde do animal. Dessa forma, o
PadimPet aproxima os abrigos de animais dos padrinhos criando uma
relação mais transparente que pode estimular o apadrinhamento.
Marcelo Martins, 21,
estudante do curso de Engenharia de Computação, participou pela primeira
vez do evento. “Foi bastante gratificante mostrar que o projeto tem
viabilidade. A concorrência era acirrada e realmente foi uma surpresa.
Estou muito feliz porque foi um trabalho feito em conjunto e em prol de
uma causa maior”, destaca. Além dele e de Raíssa, são autores do projeto
Sávia Rafaella, da Engenharia de Computação, e Filipe Francisco, mestre
em Ciência da Computação e ex-professor da universidade.
A professora Andréia
Libório, orientadora do trabalho e diretora do Campus de Quixadá,
destaca que a multidisciplinaridade do grupo foi pensada na perspectiva
da inovação. “A equipe tem a intenção de levar à frente o projeto, está
bem motivada para isso e pretende participar de algum programa de
incubação para concretizar a ideia que foi prototipada”, acrescenta.
Prêmio IHC 2019
O resultado da competição
foi divulgado no último dia 23 e três dos cinco projetos finalistas eram
da UFC. O segundo lugar ficou com a equipe Cãopanheiro, da faculdade
Cesar School, de Pernambuco. O projeto Clube do Resgate, do curso de
Sistemas e Mídias Digitais da UFC, ficou com a terceira colocação.
A premiação incluiu
artigos de tecnologia, como óculos de realidade virtual, e certificados
de participação carimbados por grandes empresas do ramo da inovação,
como a IBM Research, maior organização de pesquisa industrial do mundo. O
desafio desta edição da Competição de Design foi a criação de uma
solução que apoiasse a conscientização sobre posse responsável de
animais e incentivasse a adoção dos que estão abandonados.
O Povo