Brasil gera 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano
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personBlog do Amaury Alencar
نوفمبر 09, 2019
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No Brasil, em 2018, foram geradas 79 milhões de toneladas de resíduos
sólidos urbanos, um aumento de pouco menos de 1% em relação ao ano
anterior. Desse montante, 92% (72,7 milhões) foram coletados – uma alta
de 1,66% em comparação a 2017, o que mostra que a coleta aumentou num
ritmo um pouco maior que a geração. Apesar disso, 6,3 milhões de
toneladas de resíduos ficaram sem ser recolhidos nas cidades.
Os dados fazem parte do Panorama dos Resíduos Sólidos, da Associação
Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais
(Abrelpe), lançado hoje (8). Comparando com os países da América Latina,
o Brasil é o campeão de geração de lixo, representando 40% do total
gerado na região (541 mil toneladas/dia, segundo a ONU Meio Ambiente). Fernando Frazão/Agência Brasil
“Os números mostrados no panorama colocam o Brasil numa posição muito
abaixo de outros países que estão no mesmo nível de renda do Brasil. O
nosso déficit é muito grande e nós precisamos realmente de medidas
urgentes para não só recuperar esse déficit, como avançar em direção a
melhores práticas de gestão de resíduos sólidos”, disse o presidente da
entidade, Carlos Silva Filho.
Os resíduos sólidos urbanos correspondem a todos os tipos de resíduos
sólidos – que resultam de atividades de origem industrial, doméstica,
hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição, e, em alguns
casos, de coleta de entulhos – gerados nas cidades e coletados pelos
serviços locais.
A tendência de crescimento na geração de resíduos sólidos urbanos no
país deve ser mantida nos próximos anos. Estimativas realizadas com base
na série histórica mostra que o Brasil alcançará uma geração anual de
100 milhões de toneladas por volta de 2030.
“Há uma consolidação na geração de resíduos sólidos, o que não está
sendo acompanhada na oferta da infraestrutura necessária para lidar com
todos esses resíduos. O que a gente percebe é que a geração de lixo
aumenta no Brasil, mas a destinação adequada, a reciclagem, a
recuperação, não acompanham esse crescimento na geração”, avaliou Silva
Filho.
Coleta ameaçada
De acordo com o estudo, há um contingente considerável de pessoas que
não são alcançadas por serviços regulares de coleta porta a porta: 1 em
cada 12 brasileiros não tem coleta regular de lixo na porta de casa. Wilson Dias/Arquivo Agência Brasil
Na visão do presidente da Abrelpe, a falta de recursos dos municípios
é um dos motivos. “Temos dois problemas, um é justamente a falta de
percepção da importância da gestão adequada de resíduos sólidos para
proteger o meio ambiente e para prevenir doenças, não existe essa
percepção clara na sociedade e no Poder Público. O segundo fator, que é
mais grave, é que, como esse serviço é municipal e os municípios estão
bastante endividados, não têm recursos para custear todo esse processo”,
lamenta Silva Filho.
A estagnação ou o retrocesso de alguns índices é potencializado pela
falta de recursos destinados para custeio dos serviços de limpeza urbana
que, em 2018, registrou queda de 1,28% de investimentos, além da perda
de quase 5 mil postos de trabalho direto/formal. Para a execução de
todos os serviços de limpeza urbana foram aplicados pelos municípios
apenas R$ 10,15 por habitante/mês, em média.
De acordo com o estudo, o país utiliza o aterro sanitário como forma
de disposição ambientalmente correta (59,5% do volume coletado).
Entretanto, mais de 3 mil municípios ainda destinam seus resíduos para
locais inadequados.
Em 2018, 29,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos
seguiram para lixões ou aterros controlados, que não contam com um
conjunto de sistemas e medidas necessários para proteger a saúde das
pessoas e o meio ambiente contra danos e degradações. Considerando
países com a mesma faixa de renda (países de média-alta renda, segundo
classificação do Banco Mundial), o Brasil apresenta índices bastante
inferiores, pois a média para destinação adequada nessa faixa de países é
de 70%.
Conscientização ambiental
A Abrelpe enfatiza que a coleta seletiva está distante de ser
universalizada, e que os índices de reciclagem estão estagnados há quase
uma década. Para a entidade, enquanto o mundo fala em economia circular
e alternativas mais avançadas de destinação/reaproveitamento de
resíduos, o país ainda registra lixões em todas as regiões e precisa
lidar com um problema de comportamento da população: o brasileiro ainda
está aprendendo a jogar lixo no lixo e a fazer a separação do resíduo
com potencial de reciclagem.
“Na questão da reciclagem, para que ela aconteça, a primeira etapa
começa justamente com o cidadão, que precisa estar conscientizado da
necessidade de separar o lixo dentro de casa, estar educado de como
fazer essa separação de maneira correta e a grande maioria da sociedade
brasileira não tem essa consciência. A partir do momento que não há essa
preparação dentro de casa, toda a sequência na cadeia da reciclagem
acaba sendo prejudicada”, avaliou o presidente da Abrelpe. Fonte: Agência Brasil