População aponta falta de médicos e medicamentos nos PSFs de Missão Velha

População aponta falta de médicos e medicamentos nos PSFs de Missão Velha


Missão Velha.  Faltam médicos e medicamentos na maioria dos postos de saúde instalados nas comunidades rurais e em bairros mais populosos da sede urbana deste município. A afirmação é feita por populares em grupos da rede social WhatsApp, cujos prints a reportagem teve acesso na manhã desta quarta-feira, 22. As denúncias expõem o momento crítico que o setor atravessa em Missão Velha e explicam o aumento no fluxo de pacientes no hospital geral do município, apontam os populares. Além da falta de médicos, atrasos nos pagamentos de aluguéis onde funcionam os PSFs também preocupam os usuários do programa.

Na localidade de Banco de Areia, nas proximidades do distrito de Jamacaru, por exemplo, a equipe que atua no PSF da região corre o risco de ser despejada devido ao atraso no pagamento dos aluguéis do prédio onde o programa funciona. Os pagamentos estão atrasados há seis meses.

Na região de Missão Nova, o número de atendimentos mensais é de apenas 2 mil pessoas. O programa funciona três vezes por semana para atendimento aos pacientes – quando há médico na equipe, e dois dias para agendamento de consultas. A infraestrutura do local é precária, conforme afirmam os próprios pacientes.
“A estrutura está sendo comida pelos cupins e as salas o piso afundando”. afirma uma usuária que pediu para não ser identificada. Ela ressalta o baixo número de atendimentos diários e a falta de médicos nos dias de atendiemnto. “No dia de agendamentos o médico, quando tem, não atende nem caso de urgência. Anteontem o médico veio, hoje já não veio mais. Disseram que ele estava doente, mas, teve gente daqui que viu ele [sic] desfilando tranquilo no Juazeiro [do Norte]. São só três dias. Um dia para livre demanda e dois para agendamento. E só atende 16 fichas por dia”.
Os problemas são comuns na grande maioria das localidades rurais do município. Na Serra da Maõzinha não há médicos há pelo menos dois meses. Apenas uma enfermeira e uma técnica em enfermagem estão atuando nos atendimentos. Em Gameleira, falta material odontológico para que o dentista inicie o trabalho junto aos pacientes.
Em Jamacaru, distrito de Missão Velha, a situação também apresenta dificuldades. “Em Jamacaru é um verdadeiro caos. Tem que marcar a consulta e esperar a boa vontade dos doutor [sic]. Tá com  três meses que eu coloquei um exame. Não veio ainda. Se eu quiser fazer que eu vá pagar. Já fui lá [na Secretaria de Saúde] e o que dizem é que tem um monte na frente. O que é uma ultrasom de R$ 280 reais? Aí fica com essa enrolação com a gente. Não tem um remédio no posto pra gente pegar. No posto só tem dipirona. Até o remédio da pressão a gente tem que comprar uma parte, porque a outra não existe mais nos postos”, afirma outra paciente que também pede para não ser identificada, por medo de represárias.
A reportagem tentou conversar com a Secretaria de Saúde do município de Missão Velha para esclarecer as falhas apontadas pelos populares junto ao Programa Saúde da Família nas localidades citadas pela matéria. Ligações foram realizadas para o número 3542-1817, bem como para o número 3542-1691, sem que as chamadas fossem atendidas. Também foram realizadas ligações para o número 3542-2243, sendo que neste caso houve mensagem de que o número não estava disponível no momento.

*Roberto Crispim